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Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 13

Seis dias para a cerimônia de rejeição

Ponto de vista da Selene

O sol da manhã entra pelas janelas e banha a sala com rajadas de luz. Sinto Bastien traçando os feixes que os raios formam em minha pele, arrastando os dedos pela minha espinha, circulando as sombras e as luzes delicadas no meu peito.

Em algum momento da noite passada ele deve ter voltado ao corpo humano e me carregado para a cama. Agora, ele está deitado embaixo de mim, e sinto o constante subir e descer de seu peito balançando o meu corpo como um barco nas ondas. Eu me estico sonolenta e viro o meu rosto para ele, econtrando seus olhos já em mim, suas feições ásperas irradiando carinho. "Bom dia, lobinha."

Eu me aconchego mais, reagindo em vez de pensar. "Bom dia." Bastien está com olheiras. "Você não dormiu?"

"Não." Ele confirma. "Eu estava um pouco pensativo."

Posso sentir o sangue se esvaindo do meu rosto. "Arabella está...?"

"Ela vai ficar bem." Bastien me assegura. "Você, por outro lado..." Ele continua de forma ameaçadora.

Endureço nos braços dele. "Bastien, eu não a empurrei."

Ele me pega pela bochecha, franzindo a testa. "Eu sei disso, querida." Ele continua me acariciando, da mesma forma que faria com um cavalo arisco. "A Arabella estava angustiada e confusa, estava com muita dor, foi só isso."

Quero dizer que não foi, mas seguro a minha língua. "Se você sabe que eu não a empurrei, por que eu não ficaria bem?"

Bastien levanta uma sobrancelha severa. "Porque você, minha doce esposa, está com muitos problemas."

"Mas eu não fiz nada."

"Não mesmo?" Ele se levanta com graça predatória e se senta na cama me puxando para o seu colo. Minhas pernas se estendem sobre as suas coxas e eu o espio por baixo dos cílios. "Você já esqueceu?" A voz áspera de Bastien causa um arrepio na minha espinha enquanto sua mão se fecha em torno da minha nuca. "Você não contou a ninguém que estava doente e me desobedeceu, embora eu saiba que isso foi mais culpa da febre do que sua." Ele admite. "Mas você estava perfeitamente lúcida quando saiu do hospital sem receber alta e sem deixar sequer um bilhete. E, por fim, você se isolou aqui quando sua saúde física e mental estavam em jogo."

Miro as minhas pernas. "Como você sabia que eu estava aqui?"

"Eu rastreei o carro e mandei Aiden te vigiar, o que foi bom, ou eu não saberia da tempestade, porque não choveu do outro lado da montanha." Ele afunda os dedos no meu cabelo comprido, soltando gentilmente os meus cachos grossos. Sua expressão de mau agouro chama a minha atenção. "Você me deve algumas explicações."

De repente, sinto vontade de chorar, talvez por causa dos hormônios da gravidez. Não quero explicar nada. Só estava tentando fazer o melhor para todos nós, não é justo vê-lo com raiva de mim. "Eu não pedi para você vir, você sabe."

Sua testa franze em confusão. "O quê?"

"Você não precisava deixar a Arabella se não quisesse." Declaro mal-humorada. "Foi apenas uma tempestade, vou ter que superar essa fobia eventualmente de qualquer maneira."

Seus olhos procuram o meu rosto, como se tentando desenterrar algum mistério na minha pele. "Eu sou um Alfa." Ele finalmente me lembra. "Eu não faço nada que não queira, Selene."

Não consigo conter o escárnio. "Por favor, Bastien, você vive fazendo isso. Toda a sua existência é baseada no dever e na obrigação, e você os cumpre independentemente do que isso lhe custe." Na minha cabeça, minha voz soa firme e forte, mas, em voz alta, mais pareço um rato irritado.

Bastien me fita com uma intensidade sombria. "E o que isso tem me custado?"

"Tudo." Murmuro. "Você daria a sua vida, se fosse necessário."

"É assim que se lidera um bando, Selene." Ele afirma, gentil. "Mas você está errada se pensa que não tenho escolha. Eu não tinha que liderar o bando, mas escolhi esta vida. E eu escolho se e como cumpro os meus deveres."

Ele não consegue enxergar o que fez, mas eu sim. Também não percebe o quanto tirei dele. A frustração invade todas as minhas terminações nervosas e me sobrecarrega com emoções que não consigo desvendar e muito menos aliviar. Não sei o que fazer, porque tudo está caindo sobre mim de uma vez só, e toda vez que penso ter identificado um sentimento, um novo aparece e toma o seu lugar.

Sentindo a minha agitação, Bastien me puxa para os seus braços e me apoia no peito. Através do contato, sinto seu coração batendo em perfeita sincronia com o meu. A força do seu abraço tira um pouco da minha ansiedade, e suas mãos quentes começam a acariciar minha coluna sem parar. Ele roça os lábios na minha orelha. "O que está acontecendo, lobinha?"

Quero falar, quero contar cada pensamento que passa pela minha cabeça, mas não sai nada da minha boca quando a abro. Um turbilhão de sentimentos que não sei como processar e muito menos expressar me invade, algo comum para mim.

Depois de tantos anos na solidão, parece que perdi a capacidade de me comunicar, pois mesmo quando quero falar, não consigo encontrar as palavras – não consigo encontrar a minha voz.

Então, minto. "Nada." Finalmente respondo, aconchegando o meu rosto na curva do seu pescoço. "Nada mesmo."

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Cinco dias para a cerimônia de rejeição

Capítulo 13 1

Capítulo 13 2

Capítulo 13 3

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