Ponto de vista da Selene
Opa.
Quando pedi a Drake que me fizesse companhia na festa, planejava flertar e dançar para dar a Bastien um gostinho do seu próprio veneno. O plano era aborrecê-lo. Um Bastien irritado é administrável, mas um Bastien enfurecido é perigoso.
Encaro o meu marido com olhos arregalados. Ele está parado na porta, prestes a se transformar, com sua fúria emanando em ondas. Seu olhar metálico está fixo no meu rosto, nas minhas lágrimas e nas mãos reconfortantes de Drake.
No entanto, Drake não parece nem um pouco preocupado com a criatura raivosa que nos intimida. Ele desliza os dedos da minha pele e se volta para Bastien com um sorriso amigável. "Bastien, já faz um tempo."
"Demasiado longo." Bastien concorda. "Tanto que você parece ter esquecido com quem está lidando."
Drake revira os olhos, e nasce em mim um respeito repentino e recém-descoberto pelo jovem Alfa. Ele pode ter o rosto de um garoto brincalhão, mas por baixo é o líder duro e autoritário que o papel exige. "Honestamente, Bastien, não achei que você fosse tão ingrato." Ele brinca. "Caso você não saiba, salvei a vida da sua esposa hoje à noite. E não teria que fazer isso se você estivesse aqui."
As garras de Bastien se estendem e se retraem compulsivamente, revelando o conflito que se alastra dentro dele. As palavras de Drake eram uma provocação direta, mas não havia como negar a verdade nelas. Depois de um tempo, o meu marido começa a se acalmar, passando pelo outro homem para chegar até mim. Ele me puxa para um abraço apertado e me aconchega no seu peito. "O que aconteceu?"
Sentindo-me repentinamente protegida e atordoada, levo um momento para perceber que ele fez uma pergunta. Mas Drake – aparentemente – não se abala. "Você tem algumas víboras no seu ninho." Ele fala devagar. "Era apenas uma questão de tempo até que alguém a atacasse."
Planto as minhas palmas contra o peito de Bastien, tentando me afastar dele para mirar Drake com toda a força do meu olhar indignado. "O que aconteceu com 'heróis não fofocam'?!"
O rosto de Drake se contorce em uma careta, e percebo o meu erro tarde demais. Olho para o meu marido, cuja expressão me remete a um mau presságio. "Devo entender que você pretendia manter essa informação em segredo?" Ele pergunta, com uma voz perigosamente baixa.
Abaixo o olhar, com cuidado para não desafiar o seu domínio. "Não foi grande coisa. Não é como se ela soubesse que eu não sabia nadar."
Vejo a cabeça de Bastien virar e percebo que ele agora está encarando Drake. "Quem foi?"
Sua resposta é imediata. "Uma ruiva de vestido azul de um bando de asseclas que fica atrás dela o tempo todo."
Bastien me solta rapidamente, mas de forma gentil, e segue para a porta. "Mantenha-a aqui." Ele ordena bruscamente.
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Dez minutos depois, a porta se abre, e Aiden enfia a cabeça. "Bastien gostaria de vê-los no grande salão."
Drake e eu caminhamos em silêncio pelo opulento edifício e, ao finalmente chegarmos ao salão, encontramos o resto dos convidados da festa reunidos lá. Seguimos em frente, deslizando pela multidão até vermos o objeto da atenção de todos.
Bastien está de pé no centro da sala com a ruiva dos jardins aos seus pés. Assim que nos vê, ele nos chama para perto, ainda vibrando de raiva.
Paramos a alguns metros de distância e a loba olha para Bastien mal-humorada, como se perguntando se ela realmente tinha que fazer isso. Bastien faz pouco caso da hesitação dela e aperta a grande mão em volta de seu pescoço, conduzindo-a para frente até que se ajoelhe diante de mim. "Fale." Ele sussurra no ouvido dela.
"Selene..." Um rosnado agudo a faz estremecer. "Sra. Durand, sinto muito pelas coisas que disse e pela maneira como a tratei. Fui terrivelmente desrespeitosa e nunca deveria ter falado dessa maneira com a esposa do meu Alfa."
Outro rosnado de advertência troveja do peito do meu marido, e a mulher rapidamente corrige sua declaração. "Eu nunca deveria ter tratado você daquele jeito, não importa quem você é."
Não tenho certeza do que esperava, mas não era isso. Parte de mim está indignada: nunca aprenderei a viver sozinha se outras pessoas estiverem sempre resolvendo os meus problemas. O resto de mim está eufórica. Pela primeira vez que eu me lembre, Bastien está me colocando à frente do bando. Ele está me protegendo, tornando meus detratores um exemplo público e fazendo valer sua reivindicação para que todos vejam.
Eu encaro a loba com crescente desprezo. Ela tinha sido tão feroz e destemida quando estava me intimidando, encorajada pela minha vulnerabilidade e fraqueza. Porém, agora parece tudo menos forte; parece uma criança mimada que foi pega fazendo arte.
Tenho muitas dúvidas sobre o meu marido – sobre o meu casamento – mas sei que algo está errado. Este não é o Bastien. Seu comportamento está completamente fora de órbita, independente de como ele possa se sentir sobre mim ou Arabella ou qualquer outra pessoa. Ele não está no controle nesse momento, e ele sempre está no controle.
Com o canto do olho, percebo Aiden estudando a taça de vinho de Bastien, então o encaro, e nossos olhos se encontram. Estamos pensando a mesma coisa. Aiden enfia o cálice em sua jaqueta, sem dúvida planejando levá-lo para teste.
A confirmação de Aiden é tudo o que preciso para ir atrás de Bastien.
Independente do que aconteça no futuro, o meu marido tem me vigiado por anos sem reclamar; o mínimo que posso fazer é retribuir o favor. A dúvida persiste enquanto o procuro na multidão. E se ele não vier comigo, e se ele me rejeitar depois de me defender publicamente horas antes?
É um risco que tenho que correr.
Levo apenas alguns segundos para encontrá-los. Eles estão no centro da pista de dança; Bastien está bêbado balançando a loira, que está enrolada em torno dele como filme plástico. Deslizo pela massa oscilante de dançarinos, nunca tirando os olhos do par.
No final das contas, eu não precisava me preocupar em ser rejeitada, pois Bastien se afasta da mulher sem dizer uma palavra assim que me vê por cima do ombro dela, fechando a distância entre nós como se estivesse em transe. Levanto-me na ponta dos pés quando ele está na minha frente, passando meus braços em volta do seu pescoço para falar no seu ouvido. "Acho que é hora de irmos para casa."
Os braços de Bastien se fecham em volta da minha cintura e ele me puxa para junto do seu corpo, continuando a balançar ao som da música. Meus saltos voltam a tocar o chão quando ele começa a nos virar ao acaso ao redor da pista de dança. Seu abraço íntimo e seus movimentos insinuantes despertam as minhas zonas erógenas, confundindo os meus pensamentos. Então, fico presa entre o meu desejo de nos tirar dessa situação e os meus instintos de me submeter ao meu marido.
Bastien pode estar fora de si, mas ainda é o mesmo Alfa dominante de sempre, e meu corpo responde a ele, independente do meu cérebro estar de acordo ou não. Eventualmente, ele resolve o problema para mim.
Seu humor estranhamente inconstante muda para o picante. Então, ele de repente me arrasta para fora por uma porta lateral e me pressiona contra a parede, beijando e mordiscando o meu pescoço.
"Bastien..." Suspiro, tentando chamar a sua atenção. "Me leve para casa." Consigo deixar as minhas mãos livres e pego seu rosto. "Eu preciso que você me leve para casa." Imploro, esperando que minhas palavras ativem o lado zeloso dele.
Ele franze a testa por um bom tempo, como se estivesse tentando se lembrar de algo que esqueceu há muito tempo. Em seguida, a expressão confusa dá lugar a algo febril e feroz, e ele me pega pela mão e me puxa para longe da porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...