Ponto de vista da Selene
As montanhas parecem não acabar nunca. Eu nunca havia percebido a distância entre os bandos até agora. Claro, a maioria das pessoas não viaja mais a pé, e de carro o trajeto provavelmente levaria um ou dois dias, mas a pé leva duas semanas.
Eu poderia aproveitar mais a aventura se minha situação fosse diferente. As paisagens são incomparáveis, mas não consigo apreciar sua beleza, não quando estou constantemente olhando por cima do ombro.
Sei que todos em Elysium pensam que estou morta, mas parte de mim ainda tem medo de que Arabella esteja vindo atrás de mim. Será que ela foi enganada junto com todo mundo? Ou viu quando o meu misterioso salvador me tirou das chamas?
Embora eu não esteja nem perto de identificar quem me salvou, sei que essa é a única explicação para a minha sobrevivência. Eu estava inconsciente e à beira da morte, alguém teve que enfrentar o fogo para me resgatar.
A primeira pessoa em que pensei foi Odette, mas não acho que ela teria me tirado de Elysium e me deixado na floresta. No entanto, ela e Arabella eram as únicas que sabiam que eu estava no chalé. Em um breve momento de insanidade, até considerei a possibilidade da minha rival ter voltado por algum remorso repentino, ou talvez, para instigar algum tipo de jogo mental cruel, o que seria mais provável.
Claro, pessoas más não são a minha única preocupação a caminho de Eros. O crime e a violência dominam todos os territórios neutros, e ninguém está seguro onde reina a anarquia, mas especialmente as mulheres que viajam sem proteção.
As duas mulheres que me ajudaram quando acordei na floresta, Chloe e Annie, do Bando Vega, têm sido amáveis comigo. Elas me emprestaram roupas e compartilharam seus suprimentos, até mudaram a rota delas para me ajudar a chegar ao meu destino. Embora eu não tenha compartilhado a minha história, nem mesmo revelado o meu nome verdadeiro, elas não me questionaram nada.
Parece que é um daqueles laços tácitos da feminilidade; não precisamos saber por que uma de nós está fugindo para nos ajudarmos. Entendemos muito bem os motivos pelos quais as mulheres precisam fugir.
Quando finalmente cruzamos as montanhas, e o território de Eros se espalha no horizonte, compartilhamos um suspiro de alívio. "Estamos quase lá." Chloe envolve um braço em volta dos meus ombros. "A esta hora amanhã estaremos na fronteira."
"Só mais um dia." Annie diz, aparecendo do outro lado. "Então você poderá dormir por uma semana."
Não contei a nenhuma delas que estou grávida, mas o bebê mostrou ter sobrevivido da mesma forma que tem marcado presença desde o dia em que o concebi. Passei tão mal durante a viagem que não precisei explicar a elas que não tenho uma loba. Não tive condições de caçar nem de ajudar a montar acampamento, mas tenho certeza de que elas sabem a verdade.
Não preciso esperar mais um dia para chegar à segurança. Pouco antes do anoitecer, quando estamos tentando atravessar em um local de águas baixas, os sons de lobos se aproximando nos colocam em alerta máximo. Nós nos juntamos para formar um anel no meio da água, comunicando possíveis rotas de fuga com os olhos.
Quando estamos prestes a mergulhar no rio, sinto o cheiro de uma mistura familiar de névoa do mar e sândalo e estendo os braços para impedir minhas amigas de fugirem. "Esperem."
Os enormes shifters que irrompem pelas árvores estão em suas formas de lobo e, embora eu nunca tenha visto Drake dessa forma, reconheceria os seus brilhantes olhos verdes em qualquer lugar. Eles se arregalam quando ele me vê, então Drake se transforma imediatamente, correndo em minha direção através da água e jogando seus braços em volta de mim.
"Oh, meu Deus, pensei que você estava morta." Ele respira contra o meu pescoço.
"Drake!" Suspiro, com meus pés balançando em torno de suas panturrilhas. "Eu não consigo respirar."
"Opa!" Ele me coloca de novo chão. "Sinto muito. É que... Selene, fui ao seu funeral. É de lá que estamos voltando." Ele explica, gesticulando para os homens ao seu redor. "Só paramos para correr porque ficamos presos no carro o dia todo."
"Selene?" Chloe e Annie perguntam em uníssono. Este não é o nome que dei a elas.
Lançando-lhes um olhar de desculpas, eu me viro para Drake. "Para todos, eu estou morta." Digo com firmeza. "E preciso continuar assim."
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O território do Bando Eros é tão diferente das terras do Bando Nova quanto um lugar poderia ser. Entre florestas de mangue e pântanos salgados da costa ocidental, sua capital, Asphodel, é uma verdadeira maravilha da engenharia. Uma cidade flutuante, com centenas de canais de água salgada e pontes vivas tecidas de raízes de mangue. É selvagem e maravilhoso de uma forma que as cavernas de Elysium nunca foram.
Sob as montanhas, a vida parecia escura e limitada, independentemente da beleza dos arredores ou da floresta. Nada nunca mudava. E como poderia quando a cidade tinha sido literalmente gravada em pedra? Aqui, o chão sob os meus pés muda a cada momento, e a maré oscilante dá vida a todos os cantos do pântano.
"Como vocês correm?" Eu me pergunto em voz alta, boquiaberta com as docas flutuantes que formam um labirinto sem fim pela cidade. Os lobos de Eros são conhecidos por sua velocidade, mas não consigo compreender como eles desenvolveram essa habilidade sem terra firme.
Drake abre um sorriso largo. "Há uma razão para sermos o bando mais rápido do continente." Ele se gaba com bom humor. "Quando você passa a vida correndo na água, correr na terra é brincadeira de criança."
Rir parece tão estranho para mim. "Mas você não fica frustrado por ter que ficar sempre nesses trajetos? E como fazem para caçar?"

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...