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Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 36

Ponto de vista do Bastien

Axel não faz nenhum barulho há dias. Ele estava quase brutal desde o momento em que atendi o telefonema de Danver até o segundo em que o dr. Kane descobriu o corpo de Selene no necrotério, mas não moveu um músculo desde então. Então me vejo entrando em contato com ele toda hora, estendendo meus sensores internos em direção à sua forma apenas para ter certeza de que ele ainda está aqui.

Mais do que qualquer outra coisa, sua ausência me diz que esse pesadelo que estou vivendo infelizmente é real. Selene – a minha doce e perfeita lobinha – morreu.

Ela fugiu de casa acreditando que eu a considerava culpada de um crime terrível. Fugiu da minha proteção porque a fiz pensar que estava sendo reprimida, e, por isso, morreu sozinha e com medo.

A morte do meu pai quase me destruiu, mas a da minha companheira me aniquilou por completo. Tudo o que antes importava para mim, deixou de ter qualquer relevância. De repente, não me importo se sou o Alfa, se o bando vai cair em ruínas, se Arabella foi encontrada. Nada faz diferença, não me importo nem de viver.

Não me reconheço e não sinto necessidade de reencontrar o homem que fui, nem de criar um caminho para o miserável que me tornei.

A princípio, fui para a floresta, mas quando percebi que não podia me transformar, voltei para a casa do bando e me tranquei no quarto. A minha mãe, o Aiden e o Donovan tentaram me persuadir a voltar à terra dos vivos, mas não tenho interesse em nada sem a Selene.

Mesmo agora, quando Aiden está do lado de fora da porta com notícias que teriam me feito correr na semana passada, continuo só querendo desaparecer.

"Os executores acham que encontraram a Arabella." Ele avisa pelo pesado painel de madeira.

"Ok." Respondo inexpressivamente, recusando-me a desviar a atenção do porta-retratos que tenho na mão. "Vá buscá-la."

"Não sem você." Aiden solta um suspiro frustrado. "Precisamos de você para nos liderar."

"Não precisam." Contesto, traçando a forma de Selene na nossa foto de casamento. "Basta trazê-la para casa."

A voz de Donavon soa ao lado da do meu amigo, profunda e familiar, evocando memórias do meu pai. "Alfa, isso faz parte do seu dever. Você fez uma promessa a Flynn e ao seu pai de cuidar de Arabella e de proteger o bando. Não os decepcione desta forma. Não quebre a sua promessa."

"Também prometi proteger a minha companheira." Retruco, jogando toda a minha angústia e fúria na direção deles. "Quebrei o voto mais sagrado que já fiz. Então por que vocês acham que eu me importaria com promessas menores agora?"

"Promessa é dívida." Aiden me repreende. "Você nunca se perdoaria se algo desse errado com o resgate e você não estivesse lá para nos ajudar."

"Então esse é um risco que terei que correr." Respondo, desejando poder puxar Selene da foto e colocá-la nos meus braços.

Um par de resmungos abafados atinge os meus ouvidos, muito baixo para decifrar sem esforço; também não me importo o suficiente para tentar. "Se não for por honra, faça isso por inteligência." Donavon finalmente profere. "Se conseguirmos recuperar a Arabella, há uma boa chance de ela nos levar ao sequestrador. Esta é sua chance de encontrar o assassino do seu pai e da Selene."

Suas palavras despertam uma pontada de interesse nos confins da minha mente, mas eu logo a afasto. "Se ela pudesse identificá-los, eles nunca a deixariam viver."

"Nenhum dos seus outros alvos sobreviveu." Ele lembra. "Duvido que eles planejassem deixá-la viva. Nós apenas os vencemos desta vez."

Esgotado e desanimado, passo uma mão pelo cabelo. "O que te dá tanta certeza de que podemos resgatá-la?"

"Porque nós já a vimos." Donavon anuncia com segurança.

_____________

Os executores se amontoam em torno de Arabella, envolvendo-a em cobertores de emergência e acariciando suas costas enquanto ela chora. Seu nariz e bochechas estão inchados e manchados, sua pele corada e molhada de lágrimas, e seu corpo esguio tremendo de medo e alívio.

"Foi tão horrível!" Ela geme, agarrada aos ombros corpulentos de Danvers. "Ele disse… ele disse que ia me matar. E prometeu que ia doer."

Danvers faz um som suave para acalmá-la e a ajuda a se sentar em um banco de parque próximo. "Você pode nos dizer alguma coisa sobre o sequestrador? Como ele era? Ele disse alguma coisa sobre ele mesmo ou compartilhou algum dos seus motivos?"

Observo a alguns metros de distância enquanto Arabella se descontrola em outro ataque de soluços. Eu deveria me sentir culpado por não estar mais preocupado. Em qualquer outra circunstância, eu ficaria absolutamente horrorizado com a minha aparente apatia quando alguém de quem gosto está claramente sofrendo, porém não consigo evocar nenhum sentimento além de alívio por vê-la segura.

Como alguém me alcançou em meio às chamas? Como saí sem um arranhão?

Coloco a mão na barriga, tentando sentir o pulso minúsculo do meu filho e choramingando de frustração quando não consigo. Se eu estivesse grávida há mais tempo, poderia senti-lo mexendo e saber que estava tudo bem sem a ajuda de um médico.

No entanto, não vejo sangue ou manchas nas minhas roupas que indiquem um aborto espontâneo, apenas fuligem e cinzas. Certamente, se o bebê tivesse sido machucado de alguma forma, haveria alguns sinais. Sacudo a cabeça para clarear a mente. Primeiro, preciso descobrir onde estou e ficar segura, para depois me preocupar com médicos e tudo mais.

Eu me acalmo e sigo o som do riacho, a minha garganta está seca e ardendo, implorando por água limpa e fresca. Tropeço no mato, dando apenas alguns passos antes de ouvir vozes à distância.

Congelo, inclinando os ouvidos para o som.

"Você ficou sabendo?" A voz de uma mulher questiona com entusiasmo. "O Alfa do Bando Nova acabou de perder a companheira. Ela morreu num incêndio."

"Você está brincando..." Uma segunda mulher responde. "Isso é horrível."

"Eu sei, mas é verdade. O que se comenta fora do território deles é que estão vivendo um caos." Ela suspira. "Assassinatos, brigas, sequestros, agora isso? Para mim, a liderança dos Nova está chegando ao fim."

Não devo mais estar no território Nova. Por um lado isso é bom, mas por outros é um desastre. Um território neutro é o lugar mais perigoso para uma loba solitária, e nem isso eu sou.

Disparo em direção às vozes das mulheres antes de pensar de mais. Preciso de ajuda para encontrar aliados e não quero esperar pelos próximos transeuntes, que provavelmente serão bandidos, não viajantes inocentes.

Saio do meio das árvores e paro na frente das andarilhas fofoqueiras, observando a expressão de surpresa no rosto delas enquanto vejo seus equipamentos caros para caminhadas. Uma delas, uma linda ruiva, se aproxima de mim com clara preocupação. "Você está bem?"

"Preciso chegar ao território do Bando Eros." Falo rápido, alternando o olhar entre elas freneticamente. "Podem me ajudar?"

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