Entrar Via

Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 46

Ponto de vista da Selene

Já deveríamos ter recebido alguma informação. Luna bufa enquanto lavo os pratos na pia da cozinha. Depois de um jantar simples e um banho rápido, Lila se aconchegou no sofá para assistir seu programa favorito enquanto eu limpava tudo. É incrível como ela não se incomoda com a mudança repentina de cenário e a minha indubitável tensão.

'Nenhuma notícia é boa notícia.' Digo à minha loba, focando o copo na minha mão. 'Especialmente quando se trata de Bastien.'

'Ele vai ficar furioso, você sabe.' Ela adverte, não soando nem um pouco preocupada.

'Isso só será um problema se ele nos encontrar.' Eu a lembro friamente.

'Ah, mas ele vai.' Luna comenta presunçosamente. 'Ele sempre nos encontrará.'

'Você sabe que deveria estar do meu lado.' Eu reclamo.

'Eu estou, quero o melhor para você. Bastien é o que há de melhor.'

Jogo as mãos para cima, exasperada; água e espuma voam com o movimento. 'Você é impossível.'

'E você está em negação.'

Uma risadinha soa atrás de mim. "Você fez uma bagunça, mamãe."

Eu me viro e encontro a minha filha pequena atrás de mim observando o meu acesso de raiva, em vez de seguramente abrigada nas almofadas do sofá. Então, coloco um sorriso amarelo no rosto. "Você tem razão. Mamãe fez uma bagunça."

"Tem que limpar a sua bagunça. Essa é a regra." Ela aconselha sabiamente.

Faço um beicinho lamentável. "Você não quer limpar tudo para mim?"

A pequena tirana bate o pé. "Uh-uh, sua ponsabilidade."

Jogando a cabeça para trás com um gemido dramático, eu me rendo. "Tá boooommmm."

Lila ri de novo. O doce som é música para os meus ouvidos, o bálsamo perfeito para o estresse de ter reencontrado Bastien.

Ainda estou perdida, e quase chegando à conclusão de que nunca mais conseguirei me recompor. O que devo fazer agora? Toda a minha vida está em Asphodel: o meu negócio, os meus amigos, os amiguinhos e as babás da Lila.

Não posso fingir que a vida no Bando Eros tem sido perfeita – longe disso. Os lobos de lá desconfiaram de mim desde o começo. Viram apenas um halfling; uma mãe solteira que aparentemente tinha o futuro Alfa nas mãos. As lobas me odiavam, e os homens não chegavam perto de mim com medo de irritar Drake.

As coisas melhoraram um pouco depois que abri o café. A boa comida e as interações regulares convenceram as pessoas de que eu não era uma pária incurável e, quando deixei claro que não tinha planos de me tornar a consorte do Alfa, fui praticamente aceita como um membro do bando.

Mas se encaixar e pertencer são duas coisas muito diferentes. Há momentos em que acho Asphodel verdadeiramente encantadora: durante os festivais do equinócio, quando as fogueiras são acesas pelos canais, ou quando o pântano congela no inverno e vira uma pista de patinação gigante. No mínimo, esse lugar sempre será especial para mim porque foi onde Lila nasceu e passou seus primeiros anos, sem falar da minha independência conquistada.

No entanto, no fundo, sei que não é o lugar onde devo estar. Sou uma loba da montanha, feita para florestas perenes e ar fresco alpino. Os extensos manguezais de Asphodel não são meu elemento, não importa o quão encantadoras sejam as lagoas cintilantes, as marés suaves e a abundante vida selvagem.

Em segredo, anseio por Elysium. Apesar de todas as lembranças terríveis que tenho da cidade, não há como negar a verdadeira natureza de alguém, e a minha anseia por voltar para casa.

'Acho que você está esquecendo alguma coisa, princesa.' Luna intervém. 'Você não é realmente uma loba Nova. Você é uma Calypso, lembra?'

Reviro os olhos, ignorando a piada. 'É a mesma coisa, eu nasci e me criei lá.'

'Essa é uma forma de ver...' Ela ronrona. 'Gostaria de ouvir outra?'

Nem preciso pensar muito para responder. 'Não.'

Obviamente, ela me ignora. 'Você não sente falta de Elysium, você sente falta do seu companheiro.'

'Oh, feche a matraca logo.'

__________________

Ponto de vista do Bastien

Parte de mim se preocupa que algo tenha acontecido com ele, depois de todo o texto que recebi prometendo que mais instruções seriam fornecidas assim que estivéssemos aqui. Certamente Bastien não o teria matado. Afinal, matar outro Alfa significaria assumir o controle do seu bando. Não é algo que se faça de forma leviana, mesmo no auge da paixão.

Eu me sentiria mais segura se pudesse desconectar o telefone, mas isso inviabilizaria o contato de Drake. E de qualquer maneira, Bastien não tem o meu número de telefone. 'A menos, é claro, que ele tenha matado o Drake e pegado o telefone dele.' Luna sugere.

"Oh, Deus." Eu sussurro, olhando para Lila para ter certeza de que não a acordei. Estamos deitadas no sofá, e ela está dormindo profundamente, deitada em cima de mim como uma boneca de pano. A televisão toca baixo ao fundo, sem dúvida o único som em quilômetros.

Nas colinas silenciosas entre os territórios de Eros e Vega, o esconderijo está tão bem escondido que tive dificuldade em encontrá-lo, mesmo com as instruções. Embora eu aprecie o fato de estar em um local tão remoto pela dificuldade de ser encontrada, estou bastante ciente de que a reclusão também significa que não há para onde correr e ninguém para ouvir nossos gritos caso sejamos descobertas. 'Ah, mas você não é apenas um pequeno raio de sol?' Luna comenta sarcasticamente.

'Ah, me perdoe se a recompensa por nossas cabeças e os Alfas loucos por vingança não me deixaram de bom humor.'

'Oh relaxe.' Luna reclama. 'Ele já está quase aqui de qualquer maneira.'

"O quê?!" Desta vez, acordo Lila, já que praticamente gritei no ouvido dela. Ela olha para mim confusa e com olhos turvos, e eu não desejo nada mais além de acalmá-la e fazê-la dormir novamente, mas a afirmação de Luna tem prioridade no momento. 'Do que em nome da Deusa você está falando?'

'Você não consegue senti-lo?' Ela pergunta com indiferença. 'Senti o lobo dele há mais de dois minutos.'

'Quão perto ele tem que estar para você sentir o-'

Antes que eu possa terminar a frase, a porta de um carro bate do lado de fora, seguida por três pares de passos pesados. Eu me levanto, carregando Lila comigo e olhando freneticamente ao redor do esconderijo. É uma planta baixa aberta, claramente não feita para mais de uma pessoa habitar, já que há um único cômodo com paredes e uma porta, que é o banheiro.

Preferindo manter Lila perto de mim a escondê-la, corro para o canto mais distante, empurrando seu pequeno corpo para trás de mim e sussurrando. "Vamos brincar agora, querida. Você tem que ficar muito quieta e paradinha. Finja que é uma estátua, você pode fazer isso por mim?"

Ela abre a boca para responder, mas eu coloco um dedo nos lábios, e ela comprime os dela com força, concordando com a cabeça. "Boa menina."

Bastien e seus Betas levam apenas um segundo para passar pela porta que estava trancada. O meu coração troveja no peito, alternando entre acelerado e paralisado, sem saber se deve ficar animado ou apavorado. Mas entre mim e Luna, é muito claro quem está feliz em vê-lo e quem está petrificada.

Quando Bastien se eleva na porta com os olhos prateados brilhando com uma fúria mal contida, percebo que está tudo acabado. Tudo pelo que lutei nesses últimos três anos está perdido; cada lágrima que derramei e sacrifício que fiz foram em vão.

Fiz tudo o que pude para evitar chegar nesta situação específica, mas no final, acabei bem aqui: presa em um canto, sem ter para onde correr.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição