Ponto de vista do Bastien
A primeira coisa que vejo é o medo no rosto de Selene; medo que me odeio por causar. Ela está encurralada em um canto, parecendo muito mais a pequena loba perdida que puxei de uma árvore do que a mulher confiante que encontrei hoje.
Uso todas as minhas forças para desviar os olhos da expressão assombrada dela e examinar o resto da cena, quando percebo por que ela está no canto. O corpo minúsculo é visível, com mãos minúsculas segurando a saia de Selene, e um par brilhante de olhos de dois tons espiando por trás de sua perna.
'Companheira.' Axel canta com satisfação. 'E a filhote da companheira. Minhas, ambas minhas.'
'Ainda não sabemos de quem é essa filhote.' Eu o advirto, embora não possa deixar de me sentir atraído pela pequena criatura de uma forma que não consigo explicar.
'Eu não me importo de quem ela seja.' Ele rosna. 'Eu a vi. Gostei dela. Então ela é minha agora.'
'Não é assim que funciona.' Eu o admoesto.
Incapaz de aplacar a curiosidade, a garotinha põe a cabeça para fora do esconderijo, e Selene enrijece por reflexo. Acenando para os meus homens, avanço e fecho a porta, me aproximando cuidadosamente das lobas. "Olá, pequenina." Murmuro para a criança, ajoelhando-me para que fiquemos ao nível dos olhos, mesmo que eu ainda esteja no meio da sala. "Deusa, ela parece exatamente igual a você." Eu me deleito, intercalando o olhar entre os dois belos rostos.
Já vi muitos filhotes e beijei muitos bebês na vida, mas não me lembro de ter visto uma criança tão perfeita. Não é só porque ela é a cria da minha companheira – nem porque seja o coração e a alma da mulher que adoro – o fato é que ela é pura luz, puro amor. Apesar das minhas dúvidas, tenho que concordar com Axel. Ela é minha.
Uma pequena voz puxa as cordas do meu coração. "Mamãe, quem é?"
O calor no meu ventre endurece como uma pedra, e a realidade da nossa situação espirra sobre mim como um balde de água fria. Se esta criança é minha, Selene escondeu a sua existência de mim por anos. Ela deixou Elysium sabendo que estava grávida e levou a minha bebê para algum lugar onde eu não pudesse protegê-la.
"Essa é uma excelente pergunta." Afirmo duramente, mirando a minha companheira. "Selene?" Eu me levanto devagar e avanço. "Quem sou eu para ela?"
"Um estranho." Selene é implacável. "E o que dizemos aos estranhos, Lila?"
Na hora, a filhote leva os dedos gordinhos aos lábios e puxa um zíper imaginário na boca, pressionando-a com força e balançando a cabeça quando termina.
"Isso é muito inteligente." Elogio com a voz muito mais suave do que dirigi à mãe dela. "Você nunca deve falar com estranhos, mas não é isso que eu sou." Aos poucos, a pequena vai saindo de trás da mãe. Interessante – a maioria das crianças tem medo de mim no começo. "Eu sou o companheiro da sua mãe. Você sabe o que essa palavra significa?"
Lila nega com a cabeça, ainda agarrada à saia de Selene.
"Significa que estamos destinados a ficar juntos." Digo isso apenas para Selene. "E que eu me importo com qualquer coisa que seja importante para ela."
A indignação aparece nas feições de Selene. "Que d*abos você está fazendo?"
"Você quer que eu minta para ela?"
"Você não tem o direito de colocar esse tipo de ideia na cabeça dela!" Ela sibila, enquanto chamas dançam nos seus olhos incríveis.
Não me lembro de ter sentido tanta raiva da minha lobinha antes. A cada segundo que passa, mais certeza tenho de que esta criança é minha filha, o que significa que tenho todo o direito. Arqueio uma sobrancelha para Selene. "Quantos anos você tem, Lila?"
A mão da minha companheira se estende e se fecha sobre a criança antes que ela possa levantar os dedos para responder a minha pergunta com um patenteado "estes tantos". Em vez disso, Selene franze a testa, e seu lábio carnudo se curva. "Ela não é sua."
"Então de quem ela é?"
"Minha." Selene rosna, com sua loba brilhando nos olhos. Deusa, ela é deslumbrante quando está com raiva.
"Oh, você a fez sozinha?"
"Olhe para ela." Selene convida. "Você se vê nela? Você vê a menor semelhança?"
Esse era o convite de que eu precisava. Eu me abaixo e pego a doce garotinha antes que Selene possa me impedir. "Venha aqui, filhotinha." Ronco suavemente. "Vamos dar uma olhada em você."
Lila parece um pouco em estado de choque por um momento, como se não estivesse preparada para sair do chão e não conseguisse entender a situação. No entanto, sua surpresa desaparece rápido, dando lugar a uma curiosidade sem limites. Ela me encara com olhos arregalados e estuda o meu rosto atentamente, antes de estender a mão para sentir a barba da minha bochecha.
Percebo na mesma hora que estou perdido, se esta pequena criatura me pedisse a lua, eu tentaria roubá-la para ela, não importa o quão impossível fosse. Balançando a cabeça, acomodo Lila mais confortavelmente nos braços e quase desmaio quando ela instantaneamente descansa a bochecha no meu ombro. "Também não consigo ver mais ninguém nela." Finalmente respondo a pergunta de Selene, incapaz de disfarçar a adoração na minha voz grave. "Ela é toda você."
Selene parece perdida agora, sua atenção oscila entre o meu rosto e o de Lila, claramente sem saber o que fazer.
Então Lila toma a decisão por ela. A menina levanta a cabeça e olha para o chão lá embaixo antes de voltar a me fitar, como se esperasse uma confirmação. "Cê é alto."
"Mmm." Murmuro com simpatia. Se ela está acostumada a ser carregada pela minha companheira, isso provavelmente parece muito alto. "Muito alto?"


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...