Ponto de vista do Bastien
"Você está fazendo isso..." Selene acusa miseravelmente. "Seu lobo está fazendo isso."
'Sobre o que ela está falando?' Eu exijo de Axel.
'Ela está perto do companheiro dela, então seu instinto é se transformar. Isso aconteceria eventualmente – a loba dela nunca foi livre.'
Xingo baixinho. Eu sei que ele está certo, mas o momento é terrível. Lembro-me vividamente da primeira vez que me transformei – todos os lobos passam por isso. É um processo horrível, exigindo que quase todos os ossos do corpo se quebrem e se modifiquem, de forma lenta e agonizante. Felizmente, a transformação fica cada vez mais fácil até que seja algo natural, mas isso não torna as primeiras vezes mais fáceis. Temos que aguentar a dor.
"Não é assim que funciona, querida. Apenas chegou a sua hora." Explico como se estivesse me desculpando. Depois pego Selene e a coloco no sofá, enquanto ela geme e se contorce, antes de ir até a cama pegar Lila.
"Aiden!" Eu chamo através do nosso link mental.
Ele aparece quase na mesma hora, e eu lhe entrego Lila. "A Selene está prestes a se transformar, preciso que você fique com a filhote até que tudo acabe."
"O que você está fazendo?" Selene rosna, tentando se levantar do sofá e caindo. "Você não vai levá-la a lugar nenhum!"
Entrego Lila e volto para a minha companheira, puxando-a para cima e falando baixinho no seu ouvido. "Calma, Selene, ele vai cuidar dela."
"Não!" Ela insiste, uma mãe loba em modo de defesa total. "Você não pode tê-la, ela é minha!"
"Você realmente quer que ela veja isso?" Pergunto sério. "Ela vai ficar apavorada."
A testa de Selene franze, e posso ver as engrenagens da sua cabeça girando com a confusão, é a emoção guerreando com o instinto. "Não a tire de mim." Ela finalmente implora, com lágrimas escorrendo dos cílios.
"Ninguém vai tirá-la de você, baby." Eu juro. "Você tem a minha palavra, eles só vão levá-la para um lugar seguro enquanto você se transforma. Vou levar você direto para ela pela manhã."
"Me deixe dar um abraço de despedida nela."
Assinto para Aiden, que devolve Lila aos braços da mãe para um abraço choroso antes de pegá-la novamente e deixar Selene e eu sozinhos no esconderijo.
A minha companheira se enrola em uma pequena bola, balançando-se para frente e para trás e fechando os olhos. "Quanto tempo vai demorar?"
Estendo a mão para ela, suspirando ao vê-la se afastar. "Cada pessoa é diferente da outra. Se você tiver sorte, levará cerca de uma hora. Se não tiver… pode levar a noite toda."
Selene reclama, sem dúvida temendo a ideia de uma transformação tão longa. Não tenho coragem de dizer que o que ela está sentindo agora é apenas o começo.
Meu estômago revira, não me lembro de ter me sentido tão impotente quanto agora. Ficar sentado sem fazer nada vai contra o âmago do meu ser, assim como ver alguém com problemas e não poder ajudar.
'Você sabe como confortá-la.' Axel rosna.
'Ela não quer que eu a toque.' Rosno de volta.
'Ela não sabe o que quer agora, dói, faça ela se sentir melhor.' Ele ordena, com um pouco de tensão na voz normalmente firme.
Resmungando baixinho, abraço Selene novamente, desta vez me recusando a deixá-la escapar do meu domínio. Ela tenta lutar comigo, mas toda vez que ataca, um novo espasmo de dor a paralisa. Aperto o seu corpinho contra o meu e calo os seus protestos, massageando os seus músculos doloridos.
"Apenas respire lobinha, está tudo bem. Eu estou aqui. Não vou te deixar."
"Por que você está fazendo isso?" Ela pergunta enquanto delira.
"Não entendi a pergunta." Respondo, inalando seu cheiro doce e tentando não sentir nenhuma felicidade por tê-la de volta nos braços. Sim, em qualquer outra circunstância eu ficaria emocionado, mas tê-la se contorcendo em agonia ao meu lado meio que tira um pouco do romance do momento.
"Por que você está aqui?" Selene esclarece, um pouco mais firme.
"Porque você é a minha companheira e precisa de mim."
Antes que ela possa responder, um estalo enche o ar, e suas costas se curvam enquanto ela uiva de dor. "Shhh, eu sei querida, eu sei que dói."
"Eu te culpo por isso." Ela me informa assim que volta a respirar. "Se você tivesse ficado em Elysium, isso não estaria acontecendo."
"Isso não é muito justo com a sua loba, Selene." Eu a repreendo, sem veneno. "Você realmente acha que seria justo mantê-la presa dentro de você para sempre?"
"Não." Ela lamenta desanimada.
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Ponto de vista da Selene
A agonia quebra como uma onda na areia, crescendo cada vez mais até atingir o ápice em uma onda de luz branca ofuscante, então desvanece como se nunca tivesse existido. Não sei por quanto tempo surfei essa onda, mas já está claro quando a transformação finalmente se completa.
Tudo da noite passada é como um borrão horrível. Lembro-me de chegar ao esconderijo com Lila e certamente me lembro da chegada de Bastien. Lembro-me das primeiras dores terríveis da transformação, mas as coisas começaram a ficar confusas quando Aiden levou Lila embora. Nunca vou esquecer a angústia miserável da transformação, a sensação de ser rasgada de dentro para fora, mas os detalhes do meio-tempo são tão sólidos quanto o ar.
Por exemplo, não sei como todos os travesseiros e edredons da casa foram rasgados em tiras, deixando penas brancas como a neve cobrindo todas as superfícies visíveis no ambiente espaçoso. Também não me lembro de como as cortinas foram arrancadas das janelas ou por que a mesa de centro está de cabeça para baixo, com objetos esmagado embaixo dela.
Abro os olhos e encontro Bastien enrolado ao meu redor como lobo. A enorme besta negra me observa com olhos prateados brilhantes, e percebo que o que achei serem penas amortecendo o meu corpo, na verdade eram pelos.
O meu pelo.
Um casaco branco perfeito de pelo felpudo cobre o meu corpo da cabeça aos pés, só que não é o meu corpo - é o de Luna. Eu me sento de repente, lembrando-me tardiamente de que havia um sentido para toda aquela tortura. Pela primeira vez na vida, adoto a forma que assumo no coração; a encarnação da minha alma que a Deusa sempre pretendeu que eu habitasse.
'Luna?' Estendo a mão hesitante.
'Selene.' Posso ouvir a alegria absoluta na sua voz, embora eu esteja lutando para me equilibrar nessas novas pernas. Bastien está se divertindo ao me observar, mas não tenta me aconselhar ou mimar.
'Como você está se sentindo?' Pergunto à minha loba, tímida.
'Como se eu nunca tivesse estado realmente viva até este momento.' Ela respira calma. Então, com pura travessura, acrescenta. 'Você está pronta para ver como é estar no banco do passageiro?'
'Oh, Deusa.' Eu a provoco. 'Por favor, comporte-se.'
'Sem promessas.' Ela brinca.
Uma forma enorme se aproxima à minha direita, e eu olho para o lobo que tem assombrado os meus sonhos por tantos anos. Ele se eleva sobre mim, pelo menos trinta centímetros mais alto e imensamente mais largo. Há um brilho de reconhecimento nos seus olhos, e a euforia começa a crescer no meu peito antes mesmo de ele falar.
"Tudo bem, lobinha." Sua voz soa na minha cabeça. "Você está pronta para a sua primeira corrida?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...