Ponto de vista da Selene
Já estamos em Asphodel quando acordo. Meus cílios se abrem, e me deparo com olhos prateados ferozes repletos de carinho nas profundezas, enquanto mãos familiares acariciam o meu cabelo. Murmuro sonolenta, alongando-me enquanto Bastien me acorda. "Lá está ela." Ele ronrona, virando-se para olhar para algo no meu quadril. "Viu, eu te disse."
Sigo sua linha de visão, e a felicidade cresce no meu peito quando vejo Lila sorrindo para mim. "Você dormiu por muito tempo, mamãe." Ela me informa, rastejando para o meu colo para um abraço. "Bashun disse que colocou um feitiço em você."
"E coloquei mesmo!" Ele diz, com uma ofensa fingida. "Você viu, acabei de tirá-lo."
Aperto o pacotinho de amor nos meus braços, balançando-o para frente e para trás. "E por que ele faria isso?" Pergunto, descansando a bochecha no topo de sua cabeça.
"Porque você não queria tirar uma soneca." Ela explica de maneira simples, aconchegando-se mais perto.
"E você precisava de uma..." Bastien acrescenta sério, observando-nos com uma expressão terna.
"Bom, da próxima vez que o Bastien quiser colocar um feitiço em mim, pode mordê-lo." Eu instruo Lila. "Feitiços são ruins."
Ela balança a cabeça, rejeitando a ideia sem hesitar. "Nem todos os feitiços."
"Oh, quais feitiços são bons?" Questiono, tentando muito focar só ela e não o grande lobo ajoelhado na beira do banco do passageiro.
"Aqueles que curam." Lila afirma, olhando para mim com cópias dos meus próprios olhos. "Ou que dão bons sonhos." Ela pondera em outro momento. "E amor."
"A sua mamãe sabe tudo sobre feitiços de amor." Bastien declara, com o canto da boca se contorcendo para cima.
Meus olhos semicerram, e saio do carro, carregando Lila comigo. "Não dê ouvidos a ele, Lila." Eu instruo com trivialidade, caminhando até o canal e as balsas, protegida pelo meu companheiro e seus guardas. "Esse lobo mau fala muitas bobagens."
Sei que Bastien está fazendo caretas nas minhas costas, porque Lila ri todo o caminho até o píer. Ela fica como uma pequena mola no meus braços, subindo e descendo; primeiro espiando com a cabeça por cima do meu ombro, em seguida, abaixando-se novamente para se esconder.
Vou direto para a proa quando embarcamos e voi direto ao local favorito de Lila para espionar peixes e lontras gigantes durante a viagem. Bastien fica atrás de mim, e seu peito roça nos meus ombros enquanto ele me prende em ambos os lados com os braços. Suas mãos se apoiam no corrimão, e não preciso olhar para adivinhar sua expressão. O rosto de Lila diz tudo: seus traços preciosos são incertos no início, mas logo se transformam em um sorriso radiante.
É a aparência de qualquer lobo que fica sob o escrutínio intimidador do Alfa, só que a maioria nunca passa da deferência acovardada. Mas não a minha filhotinha, ela encara o perigo com pura alegria, minando completamente as minhas mentiras sobre sua paternidade. Pego Donavon avaliando o seu sorriso, sem dúvida notando sua semelhança com o de Bastien.
Está surpreendentemente silencioso quando o barco parte, e eu olho em volta procurando por outros passageiros, percebendo que não há mais ninguém. Somos os únicos a bordo da balsa, todos os outros viajantes que estavam esperando no cais ainda estão lá.
"Você não precisava fazer isso." Admoesto Bastien, acenando para o grupo descontente de pessoas.
Um choque elétrico percorre o meu corpo enquanto seus lábios roçam a minha nuca. "Eu discordo."
"Olha, mamãe!" Lila gorjeia alegre quando um peixe voa para fora da água diante de nós, desaparecendo com a mesma rapidez; suas escamas brilham ainda visíveis sob a superfície cristalina.
"Estou vendo!" Exclamo, fingindo não estar nervosa com o enorme shifter pairando sobre mim.
"Por que ele pula assim?" Ela pergunta curiosa.
"Talvez só quisesse vir e dizer olá para você." Sugiro.
"E agora ele vai para casa e contará a toda sua família de peixes sobre as estranhas criaturas que viu na lagoa hoje." Bastien acrescenta, e sua voz retumbante fazem minhas entranhas virarem geléia.
Eu me viro para ele e murmuro. "Pare com isso!"
Ele arqueia a sobrancelha, como se dissesse "Parar com o quê?".
Felizmente, Lila está alheia à nossa batalha silenciosa. "Onde vivem os peixe quando não estão nadando?"
"Os peixes..." Eu a corrijo gentilmente. "Podem viver em todos os tipos de lugares: recifes, cavernas, até mesmo sob a areia."
Como acontece com qualquer criança da sua idade, uma pergunta logo vira cem, e posso vê-la se preparando para o ataque. No entanto, antes que ela possa encontrar as palavras para expressar seus pensamentos curiosos, Bastien a afasta. "Oh!" Ele diz animado. "Sabe quem adora peixe?"
"Quem?" Lila espreita todos na mesma hora.
"Aiden!" Pelo olhar no rosto de Aiden, esta é a primeira vez que ele ouve falar desse suposto interesse, mas o Beta se apresenta para levar Lila de qualquer maneira. Ela já está fazendo perguntas quando eles se afastam, e eu reclamo com o meu companheiro.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...