Ponto de vista da Arabella
Eu costumava ouvir histórias sobre o Bando Calypso quando era jovem, sobre seus belos territórios no extremo oriente e o poder inigualável com que dominavam o continente. A força sempre foi sinônimo desse bando, desde que eu era garotinha. E mesmo com todo o desenvolvimento do Bando Nova sob a liderança do Gabriel, os Durand nunca chegaram perto de desafiar o império de Blaise Denizen.
Todos pensam que eu amo muito Bastien, mas na verdade nunca o amei. Como poderia amar o homem que causou a morte do meu irmão? Sempre foi só fingimento, porque queria me vingar. Depois que ele se casou com a halfling, viajei por um longo tempo, planejando chegar ao território Calypso e sua capital, Tartarus, eventualmente. Na época, até pensei que alcançar o sucesso sozinha seria a vingança perfeita, como se eu pudesse de alguma forma fazer Bastien pagar pela morte de Flynn vivendo da melhor forma possível.
Um pensamento totalmente absurdo.
Alguns anos desperdiçados cortejando outros Alfas provaram isso, e quando eu estava me preparando para viajar até o território Calypso para encenar um último esforço, a notícia da rejeição se espalhou.
Em retrospectiva, eu provavelmente deveria ter ignorado a informação e vindo para Tartatus de qualquer maneira. Afinal, agora, todos os meus melhores planos já caíram por terra. Parece que não importa o que eu faça, algo sempre dá errado.
Mas não sou fracote, não vou simplesmente jogar a toalha e desistir.
Escolhi o aliado errado contra Bastien; alguém que não estava disposto a fazer o que fosse necessário para atingir o nosso objetivo. De alguma forma, não acho que isso será um problema aqui.
Blaise Denizen não terá nenhum problema em tirar uma halfling fraca do caminho, e ele certamente não hesitará em desafiar Bastien pelo território Nova quando chegar a hora.
O único desafio agora é conseguir o apoio dele, convencê-lo a se juntar à minha causa – ou pelo menos defendê-la.
Não deve ser muito difícil. Com exceção de Bastien, nunca conheci um homem que não pudesse enganar a ponto de fazer o que eu quisesse. Blaise não será diferente.
No que me diz respeito, os dias de Selene estão contados.
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Ponto de vista da Selene
O olhar de Drake se fixa em mim quando entramos no seu escritório, examinando-me da cabeça aos pés em busca de sinais de danos e fazendo o mesmo com Lila. Ele me lança um aceno, perguntando se estou bem na linguagem tácita que desenvolvemos ao longo dos anos.
E eu assinto, tentando não corar. Só então ele relaxa visivelmente.
Lila, que está ficando mimada por ser carregada para todos os lados, contorce-se e pula dos meus braços para cambalear pela sala com seus braços rechonchudos estendidos enquanto grita. "Rake!"
Ele se ajoelha, imitando o movimento dela para que Lila possa correr direto para o abraço dele. "Olá, bebezinha!"
Olho para Bastien com o canto do olho, e noto instantaneamente seus punhos fechados brancos de tanta pressão e colados a cada lado do seu corpo. Suas mãos estão tremendo com o esforço de se conter, seu lobo claramente está perto da superfície enquanto observa Drake abraçando tão calorosamente a nossa filhote.
Posso apenas imaginar os pensamentos que estão passando por sua cabeça, e sei que o mais seguro seria separar Lila e Drake. No entanto, tenho a suspeita de que, se eu me aproximar e acabar me juntando a eles, só vou piorar a situação.
"Drake..." Eu o chamo o mais calma que posso. "O Bastien quer falar com você sobre a recompensa."
"Tudo bem." O Alfa de Eros concorda. "Vamos lá."
"Não na frente dela." Bastien rosna, olhando para Lila.
"Muito bem." Drake diz, passando Lila para os meus braços. "A Selene e a Lila podem voltar ao apartamento enquanto resolvemos isso."
"Não." Bastien rosna. "Eles sabem que devem procurá-las lá, sem mencionar que a minha adorável companheira não precisa de mais oportunidades para fugir."
Reviro os olhos, mas parece ser um movimento solitário. Eu esperava que Drake ficasse do meu lado independentemente do que acontecesse, mas sua expressão preocupada e palavras solenes indicam o contrário. "Quem sabe que deve procurá-las lá?"
"Quem quer que seja o responsável por isso." Bastien resmunga impaciente, enquanto pega uma pequena pilha de papéis das mãos de Donovan e a joga na mesa de Drake.
"Por que você não me contou nada disso antes?" Selene exige, sem se preocupar em me puxar de lado antes de demonstrar sua raiva. "Você estava me deixando pensar que provavelmente era alguma loba ciumenta, e que o único perigo era se decidissem nos capturar!"
"Até esta manhã eu não sabia sobre os folhetos do Bando Calypso." Esclareço. "E você que estava cogitando lobas ciumentas, não eu."
"Mas você não me corrigiu, apenas me deixou continuar pensando que não era nada."
"Eu não fiz nada além de tentar fazer você ver o quão séria é esta situação." A frustração cresce no meu peito. Não gosto de ter essa conversa na frente dos outros; isso deveria ser entre nós. "Se eu não compartilhei os detalhes é porque não queria te assustar mais do que você já estava, mas não se atreva a tentar fingir que não foi avisada."
Ela se acalma um pouco, e eu me aproximo instintivamente para tentar acalmar a angústia visível no seu rosto. No entanto, antes que eu possa fazer contato, o som da porta se abrindo enche o ar; seguido por um perfume que eu reconheceria em qualquer lugar.
Selene só tem tempo de ficar boquiaberta antes da minha mãe a abraçar, envolvendo a minha companheira em seus braços reconfortantes e sussurrando uma centena de bênçãos apressadas no seu ouvido. Estou surpreso por ela ter chegado aqui tão rápido e, por mais inconveniente que seja o momento, fico emocionado ao ver a ponta de um envelope pardo grosso sobressaindo no canto de sua bolsa.
Minha paciência permite apenas alguns minutos de sussurros chorosos, desculpas e explicações antes de dar um passo à frente e beijar a bochecha da minha mãe.
"Você o trouxe?" Murmuro com voz grave baixa, mas não indistinguível.
Mamãe olha para mim e para Selene, obviamente hesitante enquanto tira o envelope da bolsa. A palavra "Confidencial" está carimbada no topo do grosso papel bege, e observo o sangue escorrer do rosto de Selene.
"Você sabe o que é isso, lobinha?" Pergunto, soando mais duro do que eu pretendia.
Seus olhos arregalados saltam para o meu rosto, o medo puro dilatando suas pupilas. "Bastien..." Ela começa, tentando falar algo, mas sem conseguir encontrar as palavras.
Se eu ainda tivesse alguma dúvida, a reação dela acabou com tudo na mesma hora. Meu lobo ruge com desagrado e indignação. Posso contar nos dedos de uma mão quantas vezes ele ficou zangado com Selene, mas não posso culpá-lo neste caso. Nem um pouco.
"É hora de descobrir quem realmente é o pai da Lila."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...