— A senhora chegou?
— A Olivia está?
— Está sim. O patrão voltou com ela hoje à noite. A menina está dormindo no quarto.
Ana assentiu, trocou os sapatos e subiu para o segundo andar.
— Ei, me diga uma coisa... você acha que o patrão vai mesmo se divorciar da patroa?
— Quem sabe? Ele nunca gostou dela. Desta vez, foi a patroa que pediu o divórcio, então acho que agora acontece.
— Ah... Eu acho a nossa patroa uma pessoa tão boa. Por que será que o patrão não gosta dela?
— Mas não foi por causa daquela história de a patroa ter dopado ele anos atrás...?
— Mesmo assim, ela não me parece o tipo de pessoa que faria isso. Pode ter sido um mal-entendido.
— Mas quem é o nosso patrão? Se fosse mesmo um mal-entendido, como ele não teria descoberto a verdade depois de tantos anos? Para mim, essa história de dopagem é quase certeza...
Ana abriu a porta do quarto infantil e, ao ver a filha dormindo tranquilamente na cama, seus passos se tornaram mais leves.
Ela se aproximou da cama na ponta dos pés e acariciou o rosto da filha.
— Olivia, a mamãe veio te buscar. Olivia? — Ana baixou a voz instintivamente.
— Está tentando acordá-la?
Uma voz indiferente soou atrás dela. Ana se virou para olhar.
Gilberto devia ter acabado de sair do banho e agora estava encostado no batente da porta, observando-a.
Ana desviou o olhar após um único relance, voltando sua atenção para a filha. Hesitou por um momento antes de decidir pegar a menina adormecida e sair.
Ao ver a cena, o rosto de Gilberto escureceu na mesma hora.
— Ela está dormindo, você não vê?
Ana olhou para a expressão descontente dele, sem conseguir entender por que sua atitude tinha se tornado fria novamente.
— A Olivia não acorda fácil depois que pega no sono. Já estou levando ela. Obrigada por hoje, e desculpe o incômodo.
As palavras de Ana foram educadas e distantes. Dito isso, ela se preparou para pegar a filha nos braços.
Contudo, antes que sua mão pudesse tocar o corpo macio da menina, seu pulso foi agarrado com força.
— É mesmo?
— Eu... — Antes que Ana pudesse terminar, ele a pegou no colo de repente.
— Gilberto, o que você está fazendo?
Ana se assustou, mas só conseguiu falar em voz baixa, com medo de acordar a filha.
Assim, foi carregada por ele até o quarto do casal e jogada sobre a cama.
Ana se apoiou nos braços para se sentar e o viu desamarrar o cinto do roupão.
Seu rosto se alterou e ela virou a cabeça imediatamente, para não olhar.
— O que você vai fazer?
— O que eu vou fazer? É claro que vou terminar o que não terminamos durante o dia!
O coração de Ana disparou. Ela tentou se levantar da cama, mas ele usou o cinto do roupão para amarrar seus pulsos.
Mesmo que ela lutasse, seria inútil. A diferença de força entre um homem e uma mulher era simplesmente grande demais.

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