— Não faça isso!
— Gilberto, não faça isso! Nós já vamos nos divorciar!
Gilberto segurou seu queixo, imobilizando-a sob seu corpo. Seus olhos escuros, turbulentos, fixaram-se no rosto dela.
— Vamos nos divorciar, mas ainda não nos divorciamos, certo?
Mal terminou de falar, ele a beijou.
Ana virou o rosto, e o beijo dele pousou em seu pescoço.
— Não! Gilberto, me solte! Eu não quero! Não faça isso!
Os beijos de Gilberto desceram por seu pescoço. Irritado com a camisa dela, ele rasgou os botões com brutalidade. Os botões caíram no chão, espalhados por toda parte.
— Eu ainda prefiro quando você usa camisola.
Ana franziu o cenho e, encarando o teto, disse de repente:
— Você nem me ama. Por que ainda insiste em me tocar?
Eles estavam casados há cinco anos. O relacionamento era péssimo, mas a vida íntima fluía surpreendentemente bem.
Pelo menos duas vezes por mês, com exceção do período em que ele viajou com Pérola para o exterior.
Os movimentos de Gilberto pararam. Em seguida, ele virou o rosto dela e disse, com sarcasmo:
— Quem disse que precisa de amor para ir para a cama? Durmo com você há cinco anos. Não acha que essa sua pergunta é ridícula?
Ana fechou os olhos, tentando argumentar com ele. Já que tinham decidido se separar, deveriam fazer isso de forma definitiva.
— Mas não deve ser muito chato fazer... essas coisas com alguém que você não ama? Na verdade, assim que nos divorciarmos, você vai poder ficar com a mulher que...
Mas antes que pudesse terminar, uma dor aguda atingiu seu queixo, forçando-a a encarar o olhar assassino de Gilberto.
— Então você está dizendo que, durante esses cinco anos, achou tudo muito chato na minha cama?
Ana não entendeu por que o foco dele tinha mudado para aquilo.
O que ela queria dizer era que, assim que assinassem os papéis do divórcio, ele poderia ficar abertamente com Pérola.
— Gilberto, não enlouqueça! Me ponha no chão! Não...
A água fria jorrou sobre sua cabeça. Ana não pôde evitar um grito, mas seus ombros foram pressionados com força contra a parede, deixando-a numa situação humilhante.
Segundos depois, Gilberto a pressionou pela nuca contra a pia.
— Abra os olhos e olhe bem! Olhe para você mesma e me diga se é prazer ou tédio!
Ana nunca tinha passado por algo assim. Em pânico e furiosa, ela se debateu até que a fita em seus pulsos se soltou. Com a mão livre, ela lhe deu um tapa no rosto.
Gilberto parou, o rosto sombrio enquanto a encarava.
Ana também ficou atônita por um instante, e depois o olhou com desconfiança.
— Nós já vamos nos divorciar! Você não pode fazer isso!
Gilberto passou a língua pelo canto dos lábios, moveu a mandíbula e, com um sorriso frio, assentiu.
— Agora mesmo vou te mostrar se posso ou não!

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