— Pérola, o Diretor Paiva é tão bom para você! Que inveja!
— É verdade, nos deixa morrendo de inveja e ciúmes!
Pérola sorriu.
— Sim, ele sempre foi muito bom para mim, só que...
— Só que o quê?
Pérola olhou para o colar de pedras preciosas no espelho e semicerrou os olhos.
Só que havia muitas pessoas inconvenientes atrapalhando.
— Pérola, você não disse que o Diretor Paiva não gostava daquela filha? Então por que ele a trouxe para a sua festa de aniversário?
O sorriso de Pérola desapareceu.
— Quem sabe o que a Ana andou aprontando pelas costas.
— Você tem razão. Com certeza é mais uma das armações daquela Ana. Por que ela é tão malvada?
— Exato! Quando é que o Diretor Paiva vai finalmente se livrar daquela mulher? Pérola, você não pode ficar para sempre ao lado dele sem um título oficial, não é?
Pérola não disse nada, mas era evidente que seu humor não estava bom.
— Ah, esquece. Hoje é seu aniversário, não vamos falar de coisas tristes.
— Vão se divertir, não se preocupem comigo.
— Tudo bem, então. Vamos fazer um churrasco. Pérola, o que você quer comer? A gente assa para você.
— Qualquer coisa.
Vendo suas amigas se afastarem, Pérola se levantou e caminhou em direção a Olivia.
Olivia estava sentada quietinha em uma cadeira, comendo.
— Olivia?
Olivia se virou e, muito educadamente, acenou para Pérola.
— Olá, tia.
Pérola sentou-se ao lado de Olivia.
— Olivia, o que você quis dizer quando falou que seu papai e sua mamãe estão separados?
Olivia lambeu o creme do canto da boca e disse com inocência:
— O que aconteceu?
A empregada também estava apavorada e explicou, gaguejando:
— Desculpe, desculpe, eu... eu não fiz por querer. Foi... foi a menina que veio correndo e esbarrou em mim. Eu... eu realmente não a vi. Desculpe...
— Está doendo! Está doendo muito, papai! Está doendo! Buááá!
O choro de Olivia continuava. Ao ver Gilberto, ela chorou ainda mais alto e com mais mágoa.
A expressão de Gilberto ficou ainda mais séria, o coração apertado. Ele viu o café no chão e o braço de Olivia, vermelho da queimadura. Um lampejo de raiva passou por seus olhos.
Ele ergueu Olivia nos braços, o rosto sombrio, e olhou friamente para a empregada assustada.
— Você é cega? Não viu uma criança desse tamanho?
A empregada estava apavorada. Ela não sabia como tinha esbarrado nela. Parecia que tinha tropeçado em algo, mas agora não tinha certeza.
— Desculpe, desculpe, realmente desculpe. Eu não fiz por querer...
Os outros também se aproximaram. Gregório foi o primeiro a ajudar Pérola a se levantar.
— Pérola, você está bem? Onde se machucou?

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