A mão de Valentino apertou a caneta-tinteiro com tanta força que ele quase desejou perfurar o coração de Lisandro com ela.
Sempre achara que era apenas azar, mas, ao que parecia, tudo fora causado por alguém.
"Valentino."
Jennie segurou a mão de Valentino e delicadamente tirou a caneta dos dedos dele.
"Naquele dia da tempestade, fui à casa da sua namorada e pedi que assinassem o termo de perdão. Lisandro deve sair em breve."
O rosto de Valentino se fechou imediatamente.
"Jennie, você... Eu sei que fez isso pensando no meu futuro, mas aquele assassino... Eu preferia nunca mais fazer negócios a vê-lo livre."
"Mas, e se eu te disser que isso não é só por você, mas pela Família Jardim e por muitas outras pessoas também?"
Valentino olhou para ela, confuso.
Jennie explicou, de forma simples, a relação entre a Família Jardim e a Família Drummond.
"As duas famílias estão em disputa há anos. Não podemos deixar sentimentos pessoais atrapalharem os planos dos nossos pais."
Valentino arregalou os olhos.
"Planos? Quer dizer que... o papai entrou lá de propósito?"
"Exatamente."
Valentino ficou longos minutos em silêncio.
Jennie falou de novo: "Valentino, acredita em mim, Lisandro não vai se dar bem por muito tempo depois que sair. Talvez você não saiba, mas lá na prisão ele está vivendo como um rei, comendo do bom e do melhor, não está nada pior do que fora dali."
Valentino fechou os punhos.
"Como isso é possível..."
"É a realidade. Lá dentro, apesar de não poder sair, ele joga os jogos mais modernos todos os dias. O que quiser comer, alguém leva para ele na hora..."
O olhar de Valentino ficou ainda mais frio.
"Aquele desgraçado! Matou uma pessoa e ainda vive no conforto?!"
"Pois é, não podemos deixar ele continuar assim. Se sair, o tombo dele vai ser mil vezes pior."
Valentino olhou fundo para ela.
"Jennie, se quando ele sair eu puder ajudar em algo, por favor, me peça."
Jennie sabia que Valentino estava concordando.
Ela sorriu de leve.
"Pode deixar, na hora certa eu não vou ter cerimônia."
Os dois irmãos conversaram por muito tempo ainda.
Valentino se surpreendeu ao perceber que, só agora, conhecia de verdade a própria irmã.
Ele... sentiu-se inferior.
Mas, de repente, lembrou de uma coisa.
"Jennie, me diz uma coisa... aquele Diretor Braga, que de repente apareceu investindo no meu projeto, também era seu aliado?"
Jennie assentiu: "Sim."
"E... quando o projeto deu problema e tudo se resolveu do nada, também foi você?"
Jennie balançou a cabeça, afirmando de novo.
Valentino ficou ainda mais envergonhado.
Ela parou o carro, esperando ser multada.
Mas, para sua surpresa, o policial nem pareceu notar.
Demorou um instante para perceber que estava dirigindo o carro do Bryan.
Eles não ousariam parar um carro da Família Silva.
Suspirou aliviada e, ao mesmo tempo, sentiu inveja de Bryan.
A Véus da Morte também tinha poder e conexões, mas Bryan podia andar sob o sol, enquanto os Véus da Morte não.
Apertou o volante, decidida a ajudar a Família Drummond.
Em Cidade Victoria, havia muitos poderosos, mas só a Família Drummond reconhecia a existência dos Véus da Morte.
Só a Família Drummond poderia trazer os Véus da Morte para a luz.
A maioria do Véus da Morte era gente sofrida, inclusive Marcos.
Tinham talento, tinham ambição, não deveriam passar a vida escondidos nas sombras.
No resto do caminho, Jennie dirigiu com muito mais cuidado, não passou por mais nenhum sinal vermelho.
Afinal, era o carro do Bryan; melhor não arrumar mais confusão para ele.
Naquele dia, já tinha dado dor de cabeça suficiente para Bryan.
Logo, entrou pelo portão da Família Jardim.
Já estava escuro. Assim que saiu do carro, Octavio veio em sua direção.
Jennie estava cansada demais para lidar com ele.
"Se tiver algo pra dizer, deixa pra amanhã."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....