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Aurora Dourada: Fênix romance Capítulo 344

Amanda apertou os lábios e soltou, com dificuldade, quatro palavras: "Você escolheu ela."

"Sim. Não importa quem pergunte, nem quantas vezes perguntem, a pessoa que eu escolho sempre vai ser ela."

"Mas fomos nós que crescemos juntos como irmãos! Dentre todos os irmãos, nossa relação sempre foi a mais próxima!"

"É verdade. Mas, Amanda, você esqueceu por que nos tornamos irmãos?"

O rosto de Amanda ficou visivelmente tenso.

Octavio continuou falando.

"Foi porque a Jennie se perdeu que você acabou virando nossa irmã."

"Você detesta a Jennie porque acha que ela roubou o que era seu por direito. Mas esquece que isso nunca te pertenceu."

"Se não fosse pela Jennie, a gente jamais teria se conhecido, e você nunca teria saído do orfanato para vir morar com a Família Jardim."

"Aliás, você sabe por que sempre fui tão bom com você? Porque a Jennie se perdeu por minha culpa, por eu ser irresponsável e não tomar conta dela. Eu te tratei bem porque me sentia culpado em relação à Jennie."

"Depois, continuei te tratando bem por hábito. Até eu mesmo esqueci por que fazia isso desde o início."

"No fim das contas... a ordem se inverteu, e acabei, sem perceber, ficando mais do seu lado do que do lado da Jennie."

O semblante de Amanda foi ficando cada vez mais frio.

Ela não surtou, ao contrário, ficou estranhamente calma.

Mas justamente por isso, Octavio achou tudo ainda mais estranho.

Ele sentiu que, só naquele dia, conseguira enxergar tudo com clareza.

"Jennie, vamos."

Jennie assentiu e saiu junto com Octavio.

Logo atrás, Amanda gritou com um veneno na voz: "Quando eu for presa, vou amaldiçoar vocês todos os dias! Que a Família Jardim inteira tenha um destino terrível!"

Octavio sentiu um calafrio.

Até hoje ele não entendia uma coisa.

"Por que, mesmo sendo tão bons com ela, ela nos tratava desse jeito?"

Jennie respondeu, tranquila: "Porque tem gente que já nasce ruim. Gente ruim nunca lembra do bem que fazem pra ela."

Octavio se arrependeu profundamente.

"Na época, fui eu que, sem querer, vi a Amanda no orfanato e levei a mãe pra adotá-la. E fui eu... quem acabou perdendo você."

Jennie levantou o rosto e olhou para Octavio com seriedade.

"Octavio."

Octavio ficou surpreso. Era a primeira vez que Jennie o chamava só pelo nome.

Ela sempre o chamava pelo nome completo.

"Fala."

"Não fica mais pensando no passado. Olha pra frente."

Octavio assentiu, sério: "Tá bom."

Jennie continuou: "Vou te dar uma oportunidade. Você quer? É perigosa, mas, se aguentar firme, vai valer a pena."

Octavio ficou em silêncio por um tempo, depois balançou a cabeça: "Eu quero."

"Ótimo."

Só que, dessa vez, Octavio não ficou de fora, e Jennie até respondia algumas coisas que ele dizia de vez em quando.

Mesmo que ela continuasse fria, mesmo que tratasse ele diferente do Saulo, Octavio se sentia leve.

Comparado com a leveza daquele momento, os perigos que vinham depois não pareciam nada demais.

Bryan estava precisando de gente, então, no dia seguinte, Octavio explicou tudo para Dona Jardim, dizendo que iria para uma ilha ajudar Bryan.

Dona Jardim concordou.

Por causa do Bryan, e porque ela suspeitava que era plano da Jennie também.

Ela confiava nos dois, então ficou tranquila em deixar Octavio ir.

Claro, Jennie não deixou Octavio ir sozinho.

Ela mandou quatro pessoas do Véus da Morte com ele.

Esses quatro eram ótimos em artes marciais, cada um com uma habilidade especial, e todos muito inteligentes.

Octavio não era muito rápido de raciocínio, mas, com eles por perto, era como se tivesse superpoderes.

Só quando Jennie apresentou todos para Octavio é que ele descobriu que ela era a chefe do Véus da Morte.

Mas, curiosamente, ele não ficou tão surpreso.

Parecia natural que Jennie fosse a líder do Véus da Morte.

Ela nunca foi uma pessoa comum.

Aliás, ninguém naquela casa era comum. O mais comum de todos era ele.

Por isso, ele também queria conquistar o próprio espaço, pra ser alguém à altura da Jennie, alguém digno de ser o Octavio dela.

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