A pessoa que gritou não era outra senão Nove Agulha.
Mas, ao entrar, ele nem olhou para Jennie, como se não a conhecesse.
E ninguém na sala sabia que eles se conheciam.
Quando Irena viu Nove Agulha entrar, sua pálpebra tremeu com força.
O que esse homem veio fazer aqui?!
Antes que ela pudesse dizer algo para mandá-lo embora, na próxima segundo, Nove Agulha já falou—
"Srta. Fonseca, hoje de manhã a senhora estava com tanta pressa para comprar vermelhão que acabou esquecendo algo. Meu colega disse que o objeto era valioso, então corri para trazer."
Enquanto falava, abriu a palma da mão.
Na palma, um bracelete todo de diamantes brilhava intensamente.
O rosto de Irena mudou completamente.
Nesse momento, Jennie falou do nada: "Você disse que ela comprou o quê? Vermelhão?"
Luna, que estava calada, fez uma cara de surpresa e seguiu o gancho: "Srta. Jardim, agora há pouco você disse que o Sr. Geraldo foi envenenado com vermelhão, não foi?"
Jennie assentiu e perguntou para Irena: "Srta. Fonseca, para que você comprou vermelhão?"
Irena, completamente perdida, negou por instinto: "Eu não comprei vermelhão! Nem conheço esse homem! Alguém tire ele daqui, rápido!"
Nove Agulha fingiu estar chocado.
"Como assim você não me conhece? Hoje de manhã mesmo nós nos vimos. Você disse que tinha rato em casa e queria comprar vermelhão. Eu até aconselhei: rato não come vermelhão, melhor comprar veneno específico. Mas a senhora insistiu, então acabei vendendo."
Enquanto falava, ele tirou o celular do bolso.
"Aqui está o comprovante de pagamento. A senhora até pagou mais do que devia. Depois achei errado cobrar a mais e aproveitei para devolver o troco agora."
No visor aparecia o nome do pagador: "Irena".
Irena ficou sem palavras.
Jennie olhou séria.
"Srta. Fonseca, você comprou vermelhão, e justo o Sr. Geraldo foi envenenado com vermelhão. Como explica isso?"
"Eu, eu..."
Os olhos de Irena ficaram vermelhos, mas havia veneno no olhar.
O avô nem reclamou dela, por que Jennie tinha que se meter?
Todos na sala olhavam para ela.
Irena, em pânico, só pôde pedir ajuda ao Geraldo.
"Vovô, eu juro que não comprei vermelhão, não sei por que ele está falando isso, nunca nem vi esse homem!"
Nove Agulha mostrou-se ainda mais confuso.
"O que está acontecendo? Srta. Fonseca, por que está fingindo que não me conhece?"
"Chega!" Geraldo falou com voz forte.
Falando assim de repente, ele começou a tossir muito.
"Vovô..."
Irena tentou massagear o peito dele, mas Geraldo afastou sua mão bruscamente.
Depois de recuperar o fôlego, disse com voz pesada: "Isso é assunto de família. Renan, por favor, acompanhe esse senhor para fora."
"Sim..." Renan assentiu e, com expressão calma, escoltou Nove Agulha para fora.
Mas, por dentro, estava em choque.
Ele havia julgado errado.
"Saia! Quero conversar a sós com a doutora."
Irena só pôde sair.
Logo, restaram apenas Jennie e Geraldo na sala.
"Doutora..."
Jennie o interrompeu: "O senhor não precisa me chamar assim. Acho que já sabe quem eu sou."
Geraldo ficou sem palavras.
Ele sabia mesmo.
Quando Irena insistiu em ficar com Lucas, ele já tinha pesquisado a vida de Jennie.
Uma desempregada.
Mas, sabe-se lá como, morava numa mansão luxuosa em Cidade Vitória.
Antes, achava que ela vivia disso e daquilo; agora, sabia que era talento médico.
Ela conseguira deixá-lo ouvindo tudo do lado de fora mesmo inconsciente. Habilidade assim, não precisava mais prova.
E Jennie só sabia que Geraldo investigou sua vida porque, depois que o curou, os olhos dele mostravam surpresa, não gratidão.
Como se achasse inacreditável que tivesse sido ela a salvá-lo.
Geraldo disse então: "Srta. Jardim, vamos ser diretos: foi você quem armou tudo isso, não foi?"
Jennie sorriu ainda mais.
"Senhor, não diga isso. Sem a ‘ajuda’ da Srta. Fonseca, eu não teria conseguido nada."
"Que ousadia a sua."
Jennie retrucou: "Comparada à Srta. Fonseca, não sou nada ousada. Mesmo que eu tivesse mil coragens, jamais envenenaria meu próprio avô."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....