"Não fiz nada, não."
"O que você e a Luna conversaram?"
"Não falamos nada."
"Não acredito!"
"Acreditar ou não, é com você."
Raul queria estrangulá-la naquele instante!
Ele respirou fundo, forçando-se a manter a calma.
Disse: "Eu sei que você guarda rancor da minha mãe, foi ela quem quis te vender naquela época, mas eu não sabia de nada. Só que, se você for embora agora e parar de causar confusão, eu vou resolver isso pra você."
Raul jogou toda a culpa nas costas da Tatiana.
Jennie riu por dentro, mas no rosto apareceu um interesse fingido.
"E como você vai resolver o meu problema com a sua mãe?"
"O que você quer?"
"Simples: denunciar sua mãe, dizer que ela é uma traficante de pessoas."
Raul franziu a testa: "Isso é impossível. Eu também seria envolvido."
"Você não disse que não tinha nada a ver com isso? Se não tem nada a ver, por que teria medo de se envolver? Ou será que sua mãe vai te arrastar junto?"
Raul sabia que Tatiana nunca o envolveria.
No coração de Tatiana, o filho dela era mais importante que a própria vida.
Jennie disse calmamente: "Se você não fizer isso, eu não vou me acalmar. E quando estou brava, sou capaz de qualquer coisa. Não só de arruinar um casamento, mas até de te matar, se for preciso."
Raul cerrou os punhos, mil pensamentos passando pela cabeça.
Na verdade, Tatiana também era um fardo para ele.
Antes não achava, mas depois de conviver com ela ultimamente, sua paciência com Tatiana estava se esgotando.
Ainda mais depois que… da última vez, quando Luna foi à casa dele e achou que a mãe era só a empregada. Isso fez Raul detestar ainda mais Tatiana.
Sentia que a vida dele tinha sido toda atrapalhada por causa de Tatiana.
Respirou fundo e concordou.
"Tudo bem, depois que eu casar com a Luna, faço ela se entregar."
"Não serve." Jennie disse: "Como vou saber se você não vai voltar atrás? Depois que casar com a Luna, vai ter a Família Martins como escudo. Se você mudar de ideia, eu não vou poder fazer nada. Tem que fazer ela se entregar agora."
Ao ouvir isso, Raul pensou: depois de casar, se quisesse se vingar da Jennie ou tirar a mãe da cadeia, seria fácil.
Pensando nisso, ele não hesitou mais.
"Tá bom, eu aceito. Mas você também tem que prometer que não vai se meter no meu casamento com a Luna."
"Combinado, o que eu mais desprezo é a Tatiana. Se ela se entregar, eu paro de te incomodar."
Parecia justo.
Na mesma hora, Raul ligou para Tatiana, bem na frente da Jennie.
Nem percebeu que, depois que Luna disse que ia chamar os "patriarcas da Família Martins" para descer, ninguém mais apareceu na sala.
Até os empregados sumiram.
Raul estava nervoso porque Nove Agulha avisara que sua máscara de pele só durava três horas.
Depois de três horas, ia começar a rachar.
Mas isso já não importava.
Por causa do próprio futuro, ele mandou a mãe se entregar, uma atitude que não tem nada a ver com "filialidade"—talvez nem com humanidade.
Raul disse: "Tem que ser rápido, ela está esperando."
Esse "ela" era Jennie.
Jennie sorriu de leve: "Eu não estou com pressa, o problema é se você aguenta esperar."
Raul ficou com o rosto fechado.
Tatiana, do outro lado da linha, também ouviu.
Sem perder tempo, ela mesma ligou para a polícia e saiu de casa para se entregar.
Só que, ao sair do prédio, já tinha dois policiais esperando por ela.
Tatiana se assustou.
Tão rápido assim?
Sentiu que algo estava estranho.
Mas, já que a decisão estava tomada, só podia rezar para que tudo corresse bem para Raul.
Quando Jennie recebeu a mensagem do Oficial Barbosa, até sentiu um certo respeito por Tatiana.
Tatiana era uma mulher esperta, certamente suspeitaria que Jennie estava enganando Raul e poderia voltar atrás.
Mas, por causa do filho, por menor que fosse a chance, ela tentaria.
O amor de mãe, realmente, era algo grandioso.
Mas os olhos de Jennie continuavam frios, sem o menor traço de compaixão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....