Kleber acenou com a cabeça, meio que entendendo, meio que não: "Eu sei, tá!"
Agora ele já conseguia falar tudo direitinho, e até aquele jeitinho de criança mimada parecia ter sumido "era mesmo um garotão de dez anos de verdade.
E garotões não causavam confusão.
Vai ver, ele até poderia ajudar um pouco a Jennie.
...
Num piscar de olhos, chegou o dia seguinte.
Nilo vestiu o terno sob medida que Jennie havia mandado fazer pra ele.
Jennie foi buscar os ternos naquele mesmo dia.
Além de Nilo, também tinham ternos para Valentino, Noberto e Saulo Jardim.
Mas, sobrava um conjunto extra.
Jennie guardou com cuidado, planejando entregar para Bryan no dia seguinte.
O terno de Nilo era azul-marinho, com um corte impecável, caía perfeitamente no corpo dele.
Quando ele usava cadeira de rodas, Jennie nem percebia muito, mas agora que ele andava normalmente, ela achava o irmão bem alto.
Entre os irmãos, só perdia em altura para Octavio.
A cor sóbria do azul-marinho deixava a silhueta alongada dele ainda mais elegante, sem ficar pesado demais.
Do punho da camisa, aparecia discretamente a abotoadura de platina, dando um toque de classe que ninguém esquecia.
"Nossa, Jennie, você escolheu muito bem esse terno," Nilo comentou.
Jennie sorriu: "Se o mano não se importar, até você arranjar uma cunhada, todos os seus ternos ficam por minha conta."
Antes que Nilo pudesse responder, Saulo já se meteu.
"Eu também quero! Mana, não pode favorecer só um! Eu sou seu irmão mais querido."
"Quem disse?" retrucou Valentino. "Jennie é mais chegada a mim!"
Valentino também entrou na brincadeira: "Parem de brigar, gente, Jennie gosta mais de mim!"
E assim, começaram a zoação geral.
Dona Jardim riu baixinho.
"Olha o tamanho de vocês, já adultos, e ainda disputando carinho da irmã. Que cara de pau!"
Saulo olhou pros dois irmãos e disse: "Ouviram? Mamãe disse que vocês são cara de pau."
"E você não é?"
"Eu sou diferente, eu nem cara tenho!"
"... Pronto, quem não tem vergonha é imbatível."
Saulo deu de ombros e se despediu de Dona Jardim e dos outros: "Tô indo trabalhar!"
Dona Jardim assentiu, com um olhar cheio de orgulho.
Embora Saulo ainda falasse daquele jeito todo relaxado, estava bem mais centrado do que antes.
Nesses tempos trabalhando na filial do Grupo Silva, Saulo tinha amadurecido muito.
Finalmente estava virando um homem de verdade.
Claro, não era só Saulo que estava melhorando.
Os garçons a guiaram até o quarto reservado para ela descansar, enquanto aguardava o início da festa ao meio-dia.
Jennie ficou na varanda, admirando a paisagem, com a cabeça a mil.
Ela estava pensando nos planos do dia.
Na verdade, não tinha muito o que planejar "acabar com a Família Godinho não era tarefa pra um dia só.
Mas o lugar era ótimo.
A piscina de borda infinita parecia se misturar com o verde da serra, o céu bem azul, e um raio de sol atravessava as nuvens pesadas, como se fosse a Via Láctea caindo do alto.
Quem sabe, no futuro, ela mesma abriria um hotel assim pra passar um tempo relaxando.
Nesse momento, bateram à porta.
Jennie respondeu, abrindo só uma frestinha com cautela "mas uma silhueta alta já foi entrando e a abraçou com força.
Jennie viu quem era, então não resistiu nem tentou se defender.
Era o Bryan.
Ele exalava o mesmo perfume de cipó-do-mato que ela usava.
Parecia que ele nunca cansava de abraçá-la, ficou um tempão sem soltar.
Jennie empurrou de leve.
"Assim eu fico dura."
Bryan, então, a soltou, mas passou a mão na cintura dela.
"Ficou dura onde? Se quiser, deita na cama que eu faço uma massagem pra você."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....