"O que você afinal quer dizer?"
No rosto de Raul, havia um pedido quase desesperado.
"Eu nunca te fiz mal! Naquela época, foi minha mãe quem te comprou, e depois foi ela também que te vendeu pros traficantes... Será que você não pode, por consideração a isso, pedir pra eles me deixarem sair?"
Enquanto falava, jurou com toda a convicção: "Se eu sair daqui, nunca mais apareço na frente de vocês. Eu vou embora de Cidade Vida, sumo de vez e nunca volto!"
Jennie continuou olhando pra ele, com a mesma expressão impassível de antes.
A súplica no olhar de Raul foi desaparecendo aos poucos.
Ele não conseguia entender.
"Quem te comprou e te vendeu foi minha mãe. Se você tem raiva, devia ter acabado com ela, não comigo! Eu nunca te machuquei!"
Jennie finalmente falou.
Mas o que ela disse deixou Raul mais perdido do que cachorro em dia de festa.
Ela perguntou: "Você ainda lembra do General?"
"Que general?" Raul estava completamente confuso.
Jennie explicou melhor: "Um cachorro grandão, preto. O nome dele era General. Você que criou."
Raul continuava sem entender nada.
"Eu criei tanto cachorro nessa vida, não lembro não. O que tem esse cachorro?"
De repente, Jennie sorriu.
"Tá vendo? Quem faz mal pros outros nem lembra o que fez, já a vítima fica anos remoendo aquilo."
"O que você quer dizer com isso?"
"Raul, você vai ficar preso aqui pra sempre. Mesmo que acabe ficando completamente louco, não vai sair. Só se morrer."
Depois de falar, ela virou as costas e saiu andando.
Não adiantou Raul chamar, gritar, implorar. Ela não olhou pra trás nem uma vez.
E aquele trauma antigo de ter sido mordida por cachorro? Sumiu de vez do coração dela.
Assim que saiu do primeiro andar, Jennie foi procurar Luna.
Luna estava com uma cara péssima.
Jennie pensou um pouco, pegou Luna e foi direto falar com o diretor da clínica.
Ela entregou uma grana pro diretor.
"Parece que o quadro do meu irmão está piorando. Espero que o senhor possa receitar mais remédios pra ele."
O diretor entendeu na hora.
"Sim, Srta. Jardim. Se a senhorita quiser, podemos até começar eletrochoque."
"Pode ser." Jennie concordou.
Só aí Luna pareceu animar um pouco.
Ela quase tinha perdido a própria vida por causa de Raul.
Ver Raul ainda de pé na frente dela era irritante demais.
Foi só nesse momento que ela relaxou.
Porque agora ela sabia: Raul ia enlouquecer, consciente, aos poucos.
Com o humor melhor, Luna até sorriu de novo.
Diferente de Raul, Tatiana parecia acabado, como se tivesse envelhecido dez anos de uma vez.
Quando viu Jennie, ela gritou, perdeu o controle por um bom tempo.
"Eu devia ter te matado logo naquela época! Daí você não teria acabado com a nossa vida desse jeito!"
Jennie respondeu sem mudar a expressão: "É, você devia mesmo. Mas já que não matou, agora é minha vez de me vingar."
"Vadia! Vadia!"
"Vocês dois, mãe e filho, são feitos do mesmo jeito "só sabem xingar usando essas palavras."
Tatiana olhou pra ela, assustada.
"Você foi ver o Raul?"
"Fui, sim."
"E como ele está?!"
Jennie sorriu: "Ele tá se dando super bem com os outros pacientes da clínica. Ontem mesmo, ouvi dizer que um deles fez xixi na cama do Raul. O diretor contou que esse paciente acha que é cachorro, e fez xixi pra demonstrar amizade."
"Você... você..." Tatiana ficou roxa de raiva.
Jennie não deu chance pra ela responder, continuou: "Ah, e depois que vi ele, ele mandou um recado pra você."
A cara de Tatiana melhorou um pouco, os olhos até brilharam.
"O que ele disse?"
Jennie continuou sorrindo, leve:
"Ele disse que quem me comprou e me vendeu foi você, pediu pra eu matar você e deixar ele em paz."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....