Selena Flynn – Narrando.
Havia se passado uma semana desde a reunião com os empresários, para a licitação.
Desde então, tudo estava bem calmo.
Calmo até por demais.
E eu não era acostumada com dias longos de paz. – Em todos os sentidos.
Era madrugada, quando ouvi umas tosses incessantes no final do corredor; naquela noite particularmente, eu não havia conseguido dormir e fui até a cozinha buscar um leite quente.
Foi então que ouvi um resmungo que fez meu corpo congelar.
—Argh! – Saiu mais como um gemido de dor. Muita dor.
—PAI! – Gritei correndo até ele, ignorando o copo que deixei cair no chão.
Assim que cheguei na porta do quarto dele, Leonard estava com um braço apoiado na parede e o outro no peito.
Sua postura curvada já me alertava sobre uma dor que não havia como controlar.
—Pai! Calma, fique calmo! – Falei o ajudando a se sentar.
Ele estava pálido. Seus olhos estavam fundos e com olheiras roxas em volta. Os lábios quase cinza já me davam resposta do que eu imaginava.
—Selena...- Ele chamou com dificuldade. —Dói.
—Pai, espera. Vou pedir ajuda. – Falei o ajudando a se deitar, vendo-o ainda manter a mão sobre o peito.
Peguei o celular e enquanto a ligação continuava pelo viva-voz, ouvindo a voz de Alec soar sonolenta da ligação.
—Selena...o que...- Não o deixei falar.
—Alec, socorro. Preciso de você. É o meu pai...- A voz soou sôfrega. Cansada.
Ele não precisou de muito.
Nem o ouvi responder se estava vindo.
Eu já o imaginava vir com toda rapidez do mundo. Como sempre.
Não demorou muito até que ele e alguns funcionários me ajudassem a levar Leonard até o carro e depois para o hospital.
E lá a péssima notícia: Seu coração não suportaria muito.
Chorei.
Chorei o resto da madrugada, em silêncio.
Chorei até o sol nascer.
Chorei até não ter mais lágrimas para chorar.
E então, um braço forte me abraçou e um cheiro de café forte atingiu minhas narinas, me despertando de um sono que nem eu mesma havia percebido.
—Ei. Por que não vai para o carro descansar? Eu cuido daqui. – Disse Alec, com um timbre de voz cauteloso.
Me virei para o olhar, encarando o castanho dos seus olhos.

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