Selena Flynn – Narrando.
Assim que ouvi a voz dela, meu coração parecia querer se partir.
Era tanta coisa acontecendo, que nunca pensei que alguns dias fora a afetaria.
Respirei fundo, olhando para Philip, que já me encarava com os olhos escurecidos, mas dessa vez eram diferentes.
Coloquei a mão tampando o microfone do celular e levantei os olhos para ele.
—Senhor Caldwell, pode me dar alguns instantes, por favor?
Ele moveu a mão com a palma virada para cima.
—A vontade. Só...- Disse ele, encarando o Rolex no pulso. —Não temos muito tempo.
—Eu não demoro. – Falei caminhando em direção a porta, indo para o corredor. —Aurora, o que houve meu amor?
—Mamãe...- A voz dela soou dengosa. —Eu estou com medo. Quero a senhora. Quero o Nonno.
Aquilo me quebrou. – Mais do que eu imaginava.
—O Nonno...- Respondi com a voz baixa. —O Nonno está bem. Ele só precisa fazer um exame.
— Sta bene, mamma! – Disse Aurora, ainda fungando.
—Aurora...- Chamei ouvindo um resmungo como resposta. —Eu te amo, filha. Vai ficar tudo bem.
—Também te amo, mamãe. – Disse ela, desligando em seguida.
Respirei fundo tentando me recuperar e guardei o telefone no bolso do casaco.
Assim que me virei, meu corpo reagiu com um salto ao ver Philip parado atrás de mim.
Nossos olhos se encontraram por um instante e naquele momento, não havia a raiva e nem o ódio ali, parecia que ele era humano.
Ele havia se importado. – Seus olhos ficaram brandos, mas não durou muito.
—Como eu imaginava. Não dá para conciliar carreira e filhos. Você sempre foi mais estilo dona de cas... – Eu o interrompi.
—Philip, não termine. Esse comentário será o mais grotesco e preconceituoso que irá sair de seus lábios. Não se esqueça da imagem de excelência que você demonstra.
Ele soltou um riso, voltando a apontar para a sala e maneou a cabeça para o lado rapidamente.
—Longe de mim ofender a senhora Flynn. Vamos continuar o que você veio fazer aqui?
—Não posso. – Falei entrando e pegando minha bolsa na cadeira, mas ao me virar, seu corpo formou uma barreira contra mim e a porta. —O que está fazendo?
—Você não vai fazer isso. Fugir no meio de um contrato. É completamente antiético.

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