— Olavo, está doendo?
Tereza olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas, observando o rosto vermelho e inchado.
Olavo, porém, não respondeu. Apenas pediu que ela descansasse e saiu dirigindo em busca de Isadora.
Chegando ao apartamento velho onde ela morava, bateu na porta por um bom tempo, mas ninguém atendeu. Depois de perguntar aos vizinhos, descobriu que Isadora havia se mudado.
Sem alternativa, Olavo ligou para ela novamente.
Quando finalmente conseguiu encontrá-la, a postura de Olavo já não era mais tão fria e arrogante como antes.
Parecia exausto, quase como se estivesse disposto a ceder. Ele suspirou, resignado:
— Já chega, não acha? Volte para casa.
Chega? Voltar para casa?
— Minha filha morreu. Não tenho mais nada para disputar com você.
Ela percebeu o rosto inchado de Olavo e sabia que tinha sido obra dos pais dele.
Antes, Isadora costumava se sentir mal pela relação complicada que Olavo tinha com eles. Sempre tentava aliviar a tensão, mas agora... Agora ela sentia uma satisfação quase cruel. Era como assistir a dois cães brigando.
— O pai teve um derrame e a mãe acabou no hospital. Você já conseguiu causar problemas suficientes, não acha?
— A jovem senhora da família sempre será você. Vou manter Tereza escondida. Ela não vai competir com você. Se você gosta de crianças, posso te dar outra. O que acha?
A voz de Olavo era calma, quase gentil, como se estivesse sendo compreensivo. Quem não o conhecesse, poderia até pensar que ele era um marido atencioso.
Mas para Isadora, aquelas palavras eram ridículas.
Sem expressão, ela respondeu:
— Se seus pais estão doentes, isso não tem nada a ver comigo. Foram eles que não conseguiram acompanhar o mundo, isso não é problema meu!
Isadora devolveu as palavras que eles haviam usado contra ela no passado, com a mesma frieza.
Era como um bumerangue que finalmente encontrava o alvo. Ela queria que eles sentissem a dor que ela havia sentido!

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