Todo o hospital ficou em alvoroço devido à Aline, mas Isadora sentiu que sua mente se esvaziou completamente. Parecia que só restavam os sons dos passos e dos gritos ao redor; não via nem ouvia mais nada.
— Sra. Isadora? A senhora tá bem?
O médico acenou a mão diante dos olhos dela.
Isadora recobrou finalmente os sentidos e olhou para ele. Foi como se, de repente, toda sua racionalidade tivesse voltado de uma vez.
Ela preguntou, tremendo:
— Como está minha filha?
— Estabilizamos por ora, mas o quadro dela se agravou drasticamente. A situação é muito grave. Precisamos internar ela na UTI e esperar que os sinais vitais se estabilizem antes de avaliar se é possível operar.
— Sra. Isadora, a cirurgia, agora...
O médico não concluiu a frase, mas ela entendeu.
A cirurgia tinha pouca chance de sucesso. Seria apenas mais sofrimento para Aline.
Mas ela não queria desistir. Não podia aceitar perder sua filha preciosa. Mesmo que restasse só um fio de esperança, não abriria mão.
— Entendi. Obrigada, doutor.
No instante em que se virou, as lágrimas começaram a cair sem aviso. Ela tentou enxugá-las rapidamente, mas, quanto mais limpava, mais vinham. Acabou se agachando, abraçando o próprio corpo. Naquele momento, entendeu de verdade o significado de desespero, o que era uma dor que atravessava a alma.
Vestindo um grosso traje esterilizado, Isadora se sentou ao lado da cama de Aline.
O rostinho dela estava pálido, sem vida. Mesmo com todos aqueles tubos e fios conectados ao seu corpo frágil, Isadora conseguia sentir nitidamente que a vida da filha estava se esvaindo.
— Me desculpa, querida... A culpa é toda minha. Se não tivesse me apaixonado por ele, como teria sido?
Ela começou a relembrar o passado, o coração repleto de arrependimento. Se não tivesse amado Olavo, Aline teria nascido sob o olhar amoroso de um pai?
Uma criança tão doce... se tivesse outro pai, com certeza teria sido muito amada.
Mas por amar a pessoa errada, sua filha passou tão poucos anos neste mundo e ainda sofreu tanto.
Isadora segurou a mãozinha de Aline com delicadeza, como se, a qualquer momento, a filha pudesse partir. Seu coração estava em pedaços, doía tanto que mal conseguia respirar.
Foi então que o celular no bolso vibrou. Olhou a tela e, a contragosto, levantou-se para sair da UTI.
Do lado de fora, avistou um homem de terno impecável e seu rosto se fechou. Ela o conhecia: era o advogado mais renomado da empresa de Olavo, Felipe Duarte.
— Doutor Felipe, o que deseja?
Isadora tentou fazer sua voz soar firme, sem demonstrar o quanto estava arrasada.
Felipe, sempre profissional, abriu a pasta e lhe entregou os papéis do divórcio:
— O Sr. Olavo me pediu para acertar os termos do divórcio. A proposta absurda que a senhora apresentou não tem validade legal, então está na hora de anulá-la.
— O Sr. Olavo está disposto a negociar os termos, mas espera que a senhora não insista em algo sem sentido.
Sem sentido?
Ao ouvir isso, Isadora riu. Todos esses anos, ela não fez exatamente isso?
Se não fosse essa insistência tola, as coisas não teriam chegado a esse ponto.
Amar Olavo, desde o início, tinha sido um erro. Um castigo.
— Diga a ele que, além disso, não quero nada. Se ele não aceitar, então podemos continuar assim. Mas não vou assinar.
Ela se recompôs e olhou para Felipe com frieza, sua expressão firme e decidida.
Felipe franziu a testa e tentou aconselhá-la com paciência:
— Sra. Isadora, isso não leva a lugar nenhum. Falando profissionalmente, os termos que o Sr. Olavo ofereceu são mais do que generosos. Um casamento sem amor não tem sentido.
De fato, para todos, Isadora era a culpada. Não era segredo que Olavo nunca a amou.
Mas agora, ela não se importava mais com isso. O único desejo que tinha agora era que, nos últimos momentos de Aline, Olavo ao menos fingisse ser um pai presente.
Mas, pelo visto, nem isso ele estava disposto a fazer.

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