Naquele momento, a cabeça da Tereza estava focada apenas nas ações da empresa, nem lhe passava pela mente voltar para o hospital.
Ela abanou a cabeça, com os olhos marejados, falando baixinho:
— Eu sabia que a Isadora estava brava comigo, por isso vou pedir desculpas. Se eu fizer isso, ela vai me perdoar e parar de causar problemas, tá bom?
Antes, Olavo gostava dessa sensatez dela. Sempre preferiu mulheres que entendiam as coisas, porque só alguém sensata merecia estar do lado dele. Mas, sem saber exatamente por quê, naquela época, ao vê-la chorar daquele jeito, ele só sentia irritação e insatisfação.
Ele franziu a testa, impaciente:
— Volta agora!
Essa frase já mostrava que ele tinha perdido toda a paciência. Tereza fingia estar deprimida, mas não estava realmente doente. Ela entendia bem o recado e sentia que a atitude de Olavo em relação a ela tinha mudado.
Assustada, quase que instintivamente segurou o braço dele e falou baixinho:
— Olavo, tudo o que deu errado foi culpa minha. Por favor, não fique tão bravo, cuide da sua saúde.
— Já disse que estou bem.
Olavo segurou a mão dela e entrou no carro sem dizer mais nada.
Durante o caminho, ele ficou em silêncio, com os lábios apertados, claramente segurando a raiva.
Era a primeira vez que Tereza via Olavo daquele jeito perto dela, e isso a deixou inquieta. Não sabia o que dizer, então apenas abaixou a cabeça e fingiu fragilidade.
Esse era seu truque. Depois de tantos anos com Olavo, ela sabia muito bem como manipulá-lo.

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