— Naquela época, ele só aceitou fazer intercâmbio porque o Sr. Alves foi pessoalmente falar com ele. Rafael não queria ir, Isadora. Ele estava preocupado com você, com medo de a deixar. Ele jamais teve a intenção de abandoná-la.
Juliana falava com cautela. Nem ela sabia se estava certa em tocar nesse assunto agora. Mas doía ver dois corações que claramente ainda se pertenciam, separados assim.
Depois de tantos anos, ainda era nítido: o coração de Rafael continuava preso a ela.
Ao ouvir aquilo, Isadora baixou o olhar. Na época, Rafael foi embora sem dizer uma palavra. Aquilo sempre lhe ficou atravessado no peito dela.
Naquela época, eles já estavam prestes a ficar juntos. Embora ninguém tivesse dito nada, ela sabia que existia algo entre os dois. Justamente por isso doeu tanto quando ele foi embora sem avisar. Ela nunca imaginou que ele sumiria daquele jeito. Foi por isso que se magoou tanto e acabou tentando usar Olavo como uma forma de esquecer.
Pensando agora, talvez tenha sido porque, no instante em que viu Olavo pela primeira vez, o perfil dele lhe lembrava tanto Rafael... que ela se deixou levar. Se apaixonou na hora, e ficou apaixonada por ele, toda boba, por tantos anos.
Enxugando as lágrimas, Isadora forçou um sorriso e murmurou:
— Se fosse antes, talvez eu ainda tentasse. Mas agora... já fui casada, já tive uma filha. Eu não estou à altura dele.
E mais... ela carregava uma herança cruel da família. O câncer nos ossos era hereditário. Ela não sabia quantos anos ainda teria. Talvez morresse como Aline, de forma lenta e dolorosa.
Juliana a encarou, firme:
— Se ele realmente se importasse com isso, você acha que estaria aqui hoje?
— Nunca tire conclusões sozinha. Aprenda a respeitar o que o outro sente. Principalmente quando se trata de algo assim, entendeu?
Isadora sempre sentiu que Juliana cuidava dela como a uma filha, e naquele momento, a ternura da professora a comoveu profundamente. Emocionada, disse baixinho:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado