— Acha que você é o presidente do país, não é?!
A faxineira, ainda mais empolgada, soltou uma sequência de ironias bem direcionadas para Olavo. Quando percebeu que o rosto dele estava cada vez mais pálido, só então saiu satisfeita, arrastando o esfregão com gosto. O clima naquele trabalho era: alegria!
O policial ao lado quase não se aguentou de tanto rir. Eles são treinados para manter a postura, mas diante de uma cena dessas, era difícil não perder a compostura.
Olavo sabia que, se continuasse ali, só passaria mais vergonha. Então, segurou a mão de Tereza e saiu, sem dizer uma palavra.
Depois de tudo o que ocorrera naquele dia, ele já tinha perdido o controle da situação e da aparência. Estava irritado, e acabou descontando tudo em Tereza. Nem se deu ao trabalho de verificar se ela conseguia acompanhá-lo de salto alto, apenas seguiu em passos largos, sozinho na frente.
Achou que o azar já tivesse terminado, mas mal saíram da delegacia, uma multidão de jornalistas avançou como uma onda.
As câmeras focaram imediatamente nas mãos entrelaçadas dos dois. Equipamentos de todos os tipos apontavam para o casal, numa corrida frenética por um furo de reportagem.
— Sr. Olavo, qual a sua relação com ela?
— O que o senhor está fazendo aqui? Se envolveu em alguma encrenca ou fez alguma coisa errada?
— Os rumores recentes sobre o Grupo Carvalho são verdadeiros? É verdade que o senhor está destruindo a sua própria empresa? E é verdade que causou a morte da sua filha?
Esses jornalistas não têm medo de arrumar inimigos, apenas temem escrever algo que ninguém queira ler.
As perguntas vinham como flechas, uma atrás da outra, rasgando a máscara que os dois ainda tentavam manter.
Mesmo com toda sua experiência, Tereza quase não conseguiu segurar a tensão. Por impulso, tentou se esconder atrás de Olavo.
Mas, ao contrário do que sempre fez, ele não a protegeu. Com o rosto fechado, a empurrou de lado e disse, com frieza:

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