Isadora ergueu o rosto, os olhos brilhando feito estrelas, fixos em Olavo.
— Sério mesmo?
Olavo não sabia o que estava acontecendo com ele. Sentia-se enjoado, tentando se segurar, com o orgulho machucado... mas, quando viu aquele olhar tão puro, travou. Como se algo o puxasse por dentro, acabou assentindo, quase sem perceber.
Interiormente, Isadora se sentiu ainda mais irônica. O olhar dela foi ficando mais intenso, quase apaixonado, e isso o deixou desconcertado. Então, murmurou que precisava resolver assuntos no Grupo Carvalho e saiu do quarto às pressas.
Foi a primeira vez que Olavo perdeu o controle na frente dela. Antes, como nunca se importara de verdade, sempre parecia seguro de si, calculista. Mas agora... agora até ele se perguntava o que estava fazendo.
Assim que deixou o quarto, foi direto ao andar de cima. Ele precisava ver Tereza.
Ela estava amarrada à cama, em estado deplorável, com o rosto inchado e lágrimas escorrendo sem parar. Quando viu Olavo entrar, se agitou com todas as forças, tentando se soltar.
Olavo se aproximou, soltou as faixas que a prendiam e retirou a fita adesiva da boca.
— Achei que você nunca viria, Olavo! Você veio me tirar daqui, não foi?
Ele a encarou com calma, tocando com carinho os cabelos dela, e respondeu com voz gentil, mas fria como gelo:
— Eles só querem o seu bem. Seu estado está sério. Você precisa de tratamento.
Ela agarrou o braço dele com força, como se fosse a última salvação:
— Eu não estou doente! Vamos para casa, por favor! Eu prometo, não vou causar mais, juro!
Olavo suspirou e segurou a mão dela:
— Você nunca complicou as coisas para mim, né? Sobre o seu irmão... sinto muito, mas eu não posso fazer nada. Agora preciso da Isadora.
O olhar dele era puro desalento e imposição.
O desalento era com ele mesmo. A imposição, era com ela.

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