— É mesmo? Este vestido acabou de sair da passarela internacional! Falta de classe? Desde quando?
— Parece que tem gente que ainda vive na Idade Média.
Isadora revirou os olhos, ignorando a tentativa de manipulação e rebateu com firmeza.
Isso era inédito. Antes, tudo o que Olavo dizia, ela acatava sem questionar. Mesmo quando ele a criticava de todas as formas possíveis, Isadora se culpava e se perguntava se realmente estava errada.
Mas agora, ela já não era mais aquela mulher ingênua.
Ela sabia que não havia feito nada de errado. O problema nunca foi ela, era ele a pessoa errada.
O próprio estilista do evento elogiou o visual dela mais cedo. Só aquele homem ali, com a cara fechada, vinha dizer que estava “feio”. Faltava senso e sobrava má vontade.
Por sua vez, Olavo não esperava uma resposta tão longa só por duas palavras.
Franziu a testa, irritado:
— Isadora, esse é o seu novo truque agora? Está tentando chamar minha atenção com isso? Que ilusão patética!
Isadora já estava sem paciência nenhuma:
— Ilusão de quem, afinal? Vai ou não vai?
Se não fosse por estar arrumada e não querer estragar a imagem, ela teria jogado o salto alto na cabeça dele. Que olhos eram aqueles? Ele deveria ter ido ao oftalmologista. Um chefe tão rico e nem pensou em se tratar?
Depois de xingar Olavo mentalmente de todas as formas, ela sorriu com satisfação, o ignorou e saiu dali.

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