Enfim, o dia da cirurgia de Noah chegou. Eu estava nervoso, não negarei, mas, em simultâneo, esperançoso, sentia que o aparecimento de Aurora seria um bom presságio, que algum sinal divino do céu estava querendo acalmar meu coração e dizer que tudo ficaria bem.
— Por favor, Oliver, eu quero ir com vocês! — Aurora insistia, mas havia conversado com o médico que a acompanhava na gestação e ele me explicou o real estado dela, ela devia ficar em repouso absoluto.
— Nada disso, você vai ficar aqui e descansar, eu vou te deixar a par de tudo o que acontecer.
— Vou chegar lá e ficar quietinha sentada no meu canto, não sairei e nem caminhar para lugar algum, eu prometo!
— Meu Deus, Aurora, quando foi que você se tornou tão teimosa assim?
— Desde o dia que você me deu espaço. — Sorriu descaradamente pegando sua bolsa.
— Deixa que carrego isso aqui teimosa, e é melhor você ficar quietinha mesmo, se não, eu te mando de volta para o hotel.
Andávamos pelo corredor, até avistar Saulo, que não estava com a cara nada boa.
— O que houve? — Perguntei preocupado.
— Podemos conversar cinco minutinhos?
— Claro.
— Em particular!
Ele olhou para a Aurora e Denise que nos encarava.
— Tudo bem, vocês podem nos esperar no carro, OK?
Elas saíram andando em direção ao estacionamento, enquanto Saulo começava a falar.
— Cara, eu encontrei a mãe da Aurora e a sem vergonha disse que daria a guarda da irmã.
— E o que há de ruim nessa história?
— Ela pediu cem mil reais em troca.
— O quê?
— A descarada não tem um pingo de amor pela criança. Depois da prisão do marido, quando soube que a Aurora queria a guarda, me perguntou como ela cuidaria da irmã. Eu disse que ela tinha o emprego e a moradia estável, mas mesmo assim, a descarada disse que só entregaria a menina por essa quantia.
— Dê o dinheiro a ela então! — Respondi nervoso.
— Você é louco? Se ela souber desse interesse todo, e que você está disposto a pagar, é perigoso pedir mais dinheiro.
— Então trate de arrumar papéis que ela não possa retroceder depois, nem querer a guarda da filha outra vez, faça que ela assine, não a deixe saber que estou auxiliando a Aurora, arrume um jeito dela sumir da vida das duas.
— Você está disposto a isso mesmo? Cara, você já tem um filho, está esperando mais dois, vai arrumar mais uma criança? Sua casa virará uma creche!
— É a irmã da Aurora, quer que eu faça o quê? Dê as costas e finja que não pude fazer nada por ela? Ela a ama e eu também a amarei do mesmo jeito que amo meus outros filhos, minha casa é grande o suficiente para se transformar numa creche. — Respondi com ironia.
— Nossa, isso está ficando interessante. — Ria sarcástico.
— Qual foi dessa vez? — Perguntei desinteressado.
— Para quem estava se sentindo sozinho, agora você tem companhia de sobra, e eu vou acabar falido, com tantos sobrinhos para presentear.
— Engraçadinho, escuta. Não quero que a Aurora saiba disso, tudo bem?
— Eu não falarei de modo algum! — Respondeu sério.
— Não me preocupo com você e sim com a sua linda e amada Denise, por favor, não conte isso a ela, tudo bem?

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