O nome dele ficou ecoando na minha cabeça.
Adrian Montenegro.
Eu não fazia ideia de quem ele era, mas havia algo naquele homem que fazia tudo ao redor parecer diferente… mais pesado, mais intenso.
Ele abriu a porta do carro novamente e fez um pequeno gesto com a cabeça.
— Entre.
Eu hesitei.
Talvez porque minha mãe sempre dizia para não confiar em estranhos.
Ou talvez porque, naquela noite, eu já tinha confiado nas pessoas erradas demais.
— Eu não conheço você — falei.
Ele apoiou o braço na porta do carro, completamente tranquilo.
— Tecnicamente, você acabou de conhecer.
Eu estreitei os olhos.
— Isso não ajuda.
Um leve sorriso apareceu no rosto dele.
— Justo.
A chuva continuava caindo forte, escorrendo pelo meu cabelo e pelo meu rosto.
Eu estava completamente encharcada.
Exausta.
E emocionalmente destruída.
Adrian olhou para mim por alguns segundos, como se estivesse avaliando alguma coisa.
— Você tem duas opções agora — disse ele calmamente.
— Quais?
— A primeira é continuar parada aqui na chuva, tremendo e claramente sem saber para onde ir.
Ele fez uma pausa.
— A segunda é entrar no carro, aceitar uma carona e pelo menos se aquecer um pouco.
Eu suspirei.
Ele tinha razão.
Eu não tinha para onde ir naquele momento.
Minha casa… bem, tecnicamente ainda era minha casa, mas a ideia de voltar para lá e encontrar meu marido — ou pior, minha irmã — me deixava com náusea.
— Só uma carona — falei.
Ele abriu mais a porta.
— Só uma carona.
Entrei no carro.
O interior era quente e silencioso. O cheiro suave de couro misturado com um perfume masculino discreto preenchia o ambiente.
Era claramente um carro caro.
Muito caro.
Adrian entrou no banco do motorista e ligou o carro.
Por alguns segundos, nenhum de nós falou nada.
Apenas o som da chuva batendo no vidro.
— Para onde? — ele perguntou.
Boa pergunta.
Eu fiquei olhando pela janela por alguns segundos antes de responder.
— Dirija.
Ele virou o rosto lentamente para mim.
— Dirigir para onde?
— Qualquer lugar que não seja aquele hotel.
Ele pareceu pensar por um momento.
Então assentiu.
O carro começou a se mover pela rua iluminada.
Eu apoiei a cabeça no encosto do banco e fechei os olhos por um instante.
Mas, inevitavelmente, a cena voltou à minha mente.
Meu marido.
Minha irmã.
Na mesma cama.
Senti meu estômago se contrair novamente.
— Você ainda está pensando nisso — Adrian disse de repente.
Abri os olhos.
— Como você sabe?
— Porque seu rosto muda toda vez que você lembra.
Cruzei os braços.
— Você sempre analisa estranhos dentro do seu carro?
— Só os interessantes.
Olhei para ele.
— E eu sou interessante?
Ele não respondeu imediatamente.
Seus olhos permaneceram na estrada.
— Você entrou no meio da rua sem olhar para os lados, parecia completamente destruída e mesmo assim não derramou uma lágrima.
Ele finalmente virou o rosto para mim.
— Isso é interessante.
Eu soltei uma pequena risada sem humor.
— Eu já chorei o suficiente por hoje.
— Duvido.
— Por quê?
— Porque você ainda está tentando ser forte.
Eu fiquei em silêncio.
Talvez porque ele estivesse certo.
Talvez porque eu estivesse cansada demais para discutir.
O carro virou em uma avenida mais tranquila.
— Você descobriu algo importante hoje? — ele comentou.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
Eu respirei fundo, olhando para frente.
— Eu descobri que estou grávida.
As palavras saíram baixas.
Controladas.


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