— Naquela época, você era a aluna favorita da Professora Almeida. Ela está com câncer de pulmão em estágio terminal, pode nos deixar a qualquer momento...
Ao ler a última mensagem, Alba perdeu o chão.
A Professora Almeida fora sua mentora do primeiro ao último ano da faculdade de Direito.
No primeiro ano, Alba ainda não havia conhecido Jefferson.
Ela vivia em extrema pobreza, e todo o dinheiro para a alimentação do mês vinha de pequenos bicos que fazia.
Para juntar dinheiro para as mensalidades, ela trabalhava sem parar durante as férias.
Isso até fez com que ela perdesse algumas aulas.
Quando a Professora Almeida descobriu a sua situação, não apenas a ajudou a pagar as mensalidades atrasadas, como também financiou as suas refeições mensais.
Se não fosse pela ajuda da professora, ela jamais teria conseguido sobreviver àquele primeiro ano.
Ela fitou a mensagem por um longo tempo e respondeu com uma única palavra:
— Irei.
...
Segunda-feira.
Assim que chegou à empresa, Alba recebeu outro enorme buquê de flores.
Sem sequer olhar direito, entregou-o a Zanete:
— Jogue fora ou faça o que quiser.
Zanete estalou a língua impressionada:
— Esse buquê não sai por menos de uns duzentos ou trezentos reais. Que inveja! Quem me dera ter alguém me cortejando assim.
Alba não respondeu.
Zanete lançou um olhar para o pulso vazio da colega:
— A propósito, por que você não está usando a pulseira da Cartier que aquele homem te deu?
Foi só então que Alba se lembrou da pulseira da Cartier que Miguel havia lhe dado, pensando que precisava encontrar um momento para devolvê-la o mais rápido possível.
Ela pegou sua xícara e, quando estava prestes a sair para pegar água, deparou-se com Jefferson parado na porta do escritório, observando-a com um olhar gélido e sombrio.
— Sr. Soares...
Ela cumprimentou em voz baixa.
Jefferson olhou para o buquê de flores na mesa atrás dela, franziu a testa e entrou no escritório.
Ele a ignorou, e Alba sentiu-se completamente desconfortável.
O dia inteiro passou, e ela só cruzou com ele uma vez durante a reunião de rotina.
Perto do fim do expediente, seu celular apitou.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
— Dra. Aragão, teríamos tempo para nos encontrar? Acho que formamos um ótimo casal.
Alba apenas bateu o olho e apagou.


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