Alba tinha acabado de sair do departamento jurídico quando o telefone tocou.
Ela voltou para atender, e a voz fria de Jefferson soou do outro lado da linha:
— Dra. Aragão, venha ao meu escritório.
Os nervos de Alba ficaram instantaneamente à flor da pele. Depois de responder um apressado "Sim, senhor", ele desligou.
O expediente já havia terminado, e ela não fazia ideia do porquê de ele chamá-la.
Desde aquela noite em que ele propusera o acordo, estar no mesmo ambiente que ele se tornara incrivelmente constrangedor.
E também causava-lhe apreensão.
Ela tinha muito medo de que ele usasse sua posição de chefia para, mais uma vez, ultrapassar os limites com ela.
Instintivamente, tocou os lábios.
Parecia que o cheiro e a intensidade da respiração dele se emaranhando com a dela naquela noite ainda estavam vivos na memória...
Só de pensar nisso, a sua própria respiração vacilou.
Ao entrar no escritório da presidência, parecia estar marchando para a guerra.
Manteve-se o mais distante possível da mesa dele.
— Sr. Soares, quais são as suas ordens?
Ela perguntou, inquieta.
Jefferson folheou um documento que tinha em mãos e o estendeu para ela:
— Tenho um jantar de negócios esta noite. Revise este contrato e me entregue pronto.
Alba ficou atônita:
— Agora?
O homem ainda segurava o documento no ar. Vendo-a se manter tão distante, como se preferisse estar a quilômetros dali, e com uma evidente insatisfação no rosto pela hora extra inesperada, ele não pôde deixar de franzir a testa:
— Falei grego? Ou prefere que eu caminhe até aí e entregue o documento pessoalmente nas suas mãos?
Alba balançou a cabeça em pânico ao ouvir isso.
Caminhou até ele, pegou o arquivo e mordeu os lábios para se explicar:
— Sr. Soares, como pediu essa hora extra de última hora, não tive tempo de organizar as coisas em casa, então... será que outra pessoa não poderia ajudá-lo...
Ao chegar ao fim da frase, a sua voz foi diminuindo até virar um sussurro.
Jefferson encostou-se preguiçosamente na cadeira, cruzou os braços e a observou com diversão contida:
— "Organizar as coisas em casa"... O que você quer dizer com isso?
Alba foi franca:
— Preciso ir à escolinha pegar as crianças antes das oito e meia...
O homem ergueu uma sobrancelha, fazendo uma pergunta para a qual já tinha a resposta:
— Pelo visto, o seu namorado inútil não existe.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais