Ela conhecia perfeitamente a faceta cruel que Adelina escondia.
Ela tinha um temperamento explosivo e recorria à agressão física num piscar de olhos.
Como estavam na empresa, Alba não queria criar confusão. Além disso, sabia que, por mais que explicasse, Adelina não acreditaria.
— Sra. Soares, eu não fiz isso. Se a senhora não quer acreditar, não há nada que eu possa fazer.
Depois de dar sua última explicação, Alba desviou de Adelina e tentou sair.
Mas, ao chegar à porta, Adelina a puxou bruscamente pelo braço.
— Você faz uma maldade dessas e acha que uma desculpa esfarrapada vai resolver tudo?
Alba manteve a compostura:
— Sra. Soares, o que a senhora quer?
Adelina respondeu de imediato:
— Se quer que eu te deixe em paz, vai agora mesmo comigo até a delegacia retirar a queixa. Assim que soltarem minha tia, eu esqueço o que aconteceu.
Alba percebeu então que Adelina estava apenas usando a situação para forçá-la a retirar a denúncia.
— Retirar a queixa? Impossível.
O tom de Alba foi firme, sem espaço para negociação.
Adelina a fulminou com o olhar, furiosa:
— Muito bem! Já que você não quer facilitar, não me culpe por eu não ter pena de você.
— ...
Alba soltou uma risada fria.
Adelina não tinha mudado absolutamente nada em seis anos.
Por fora, a imagem de uma socialite doce e generosa; por dentro, egoísta e vingativa.
Qualquer um que a desagradasse sofreria sua retaliação.
Alba já tinha aprendido essa lição da pior forma, seis anos atrás.
Quando ela se desvencilhou do aperto e se virou para sair, Adelina agarrou seu pulso de novo, querendo continuar a discussão.
Irritada, Alba a empurrou com força para se soltar.
Talvez pela força excessiva, Adelina perdeu o equilíbrio e caiu para trás no chão.
A cabeça bateu em cheio na quina da mesa.
Adelina soltou um grito de dor.
Ao levar a mão à testa e ver os dedos manchados de sangue, soltou um grito de pânico.

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