Alba tocou o próprio rosto em chamas, com uma expressão sem graça, e disfarçou o embaraço:
— Está fazendo um pouco de calor aqui dentro...
Talles olhou na direção do quarto:
— E o Sr. Soares? Não vamos chamá-lo para jantar?
— Ele precisa descansar...
Alba respondeu, atropelando as palavras.
Demian arregalou os olhos, curioso:
— O Sr. Soares está tão cansado assim?
— ...
Alba não sabia onde enfiar a cara.
Bem naquele momento, Jefferson saiu do quarto.
Ele havia tirado o paletó. A camisa preta e a calça escura desenhavam perfeitamente a silhueta invejável de seus ombros largos, cintura estreita e pernas longas.
Parecia ter lavado o rosto, pois as pontas do cabelo estavam úmidas. Algumas gotas d’água escorriam para dentro da gola desabotoada, conferindo-lhe um ar de tentação contida.
Ao se lembrar da cena dele a prensando na cama para beijá-la, as bochechas de Alba ficaram ainda mais vermelhas.
O homem sentou-se ao lado dela, observando as várias travessas de comida deliciosa sobre a mesa, e um sorriso surgiu em seus lábios.
— A Dra. Aragão cozinha muito bem.
Elara sorriu, com os olhinhos brilhando:
— A comida da minha mãe é a melhor de todas! Sr. Soares, o senhor tem que comer bastante, viu?
Jefferson afagou a cabeça da menina com ternura.
Talles e Demian, mais práticos, pegaram os garfos desajeitadamente e colocaram pedaços da carne de panela favorita deles. Quando estavam prestes a servir Jefferson, Alba estendeu a mão para impedir:
— O Sr. Soares não come carne.
Assim que a frase escapou, sentiu vontade de morder a própria língua.
A culpa era do fato de conhecer tão bem os antigos hábitos de Jefferson.
Tinha sido uma reação puramente instintiva.
Como já era de se esperar, ao ouvi-la, Jefferson levantou levemente o olhar e a encarou com uma expressão sombria e indecifrável.
Alba abaixou a cabeça, sentindo que o olhar dele seria capaz de perfurá-la.

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