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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 249

Alba tocou o próprio rosto em chamas, com uma expressão sem graça, e disfarçou o embaraço:

— Está fazendo um pouco de calor aqui dentro...

Talles olhou na direção do quarto:

— E o Sr. Soares? Não vamos chamá-lo para jantar?

— Ele precisa descansar...

Alba respondeu, atropelando as palavras.

Demian arregalou os olhos, curioso:

— O Sr. Soares está tão cansado assim?

— ...

Alba não sabia onde enfiar a cara.

Bem naquele momento, Jefferson saiu do quarto.

Ele havia tirado o paletó. A camisa preta e a calça escura desenhavam perfeitamente a silhueta invejável de seus ombros largos, cintura estreita e pernas longas.

Parecia ter lavado o rosto, pois as pontas do cabelo estavam úmidas. Algumas gotas d’água escorriam para dentro da gola desabotoada, conferindo-lhe um ar de tentação contida.

Ao se lembrar da cena dele a prensando na cama para beijá-la, as bochechas de Alba ficaram ainda mais vermelhas.

O homem sentou-se ao lado dela, observando as várias travessas de comida deliciosa sobre a mesa, e um sorriso surgiu em seus lábios.

— A Dra. Aragão cozinha muito bem.

Elara sorriu, com os olhinhos brilhando:

— A comida da minha mãe é a melhor de todas! Sr. Soares, o senhor tem que comer bastante, viu?

Jefferson afagou a cabeça da menina com ternura.

Talles e Demian, mais práticos, pegaram os garfos desajeitadamente e colocaram pedaços da carne de panela favorita deles. Quando estavam prestes a servir Jefferson, Alba estendeu a mão para impedir:

— O Sr. Soares não come carne.

Assim que a frase escapou, sentiu vontade de morder a própria língua.

A culpa era do fato de conhecer tão bem os antigos hábitos de Jefferson.

Tinha sido uma reação puramente instintiva.

Como já era de se esperar, ao ouvi-la, Jefferson levantou levemente o olhar e a encarou com uma expressão sombria e indecifrável.

Alba abaixou a cabeça, sentindo que o olhar dele seria capaz de perfurá-la.

Jefferson cerrou os lábios, em silêncio.

Alba puxou a filha para mais perto e colocou algumas folhas de verdura em seu prato, tentando desviar sua atenção:

— Elara, não pode ser seletiva com a comida. Coma mais verduras.

— Ah... tá bom.

Elara adorava carne e detestava comer verduras.

Com a mãe enchendo seu prato de folhas, a expressão da menina murchou na mesma hora.

Perdeu até a vontade de fazer perguntas.

O motivo de Alba não querer que as crianças insistissem naquilo era evitar reviver o trauma profundo escondido no coração de Jefferson.

Anos atrás, quando estavam juntos, ela soubera pelos antigos empregados da família Soares que Jefferson comia de tudo.

O trauma começou depois de um acidente de carro, do qual ele foi resgatado.

Ele viu a própria mãe presa às ferragens do carro em chamas, morrendo queimada viva diante de seus olhos. Desde então, nunca mais tocou em carne.

Chegava a sentir repulsa.

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