Nos piores dias, até o cheiro de carne lhe provocava náusea.
Quando viviam juntos, Alba usava a criatividade na cozinha para preparar as mais variadas receitas.
Todas estritamente vegetarianas.
Naquele instante, ao vê-lo comer em silêncio, Alba soube que ele certamente estava se lembrando da morte da mãe.
Por sorte, Talles e Demian eram sensíveis ao ambiente e também não tocaram mais no assunto.
O jantar terminou em silêncio, e já eram nove e meia da noite.
Alba não teve tempo de lavar a louça e logo mandou as crianças tomarem banho.
Quando os três foram obedientemente para o quarto, Alba voltou à sala e encontrou Jefferson sentado no sofá, com a cabeça apoiada no encosto e os olhos fechados, descansando.
Ao ouvir os passos dela, abriu os olhos. Estavam vermelhos. Ele a encarou.
— Quer me expulsar?
Alba comprimiu os lábios.
— Sr. Soares, já está na hora de o senhor ir para casa.
— Casa?
O homem segurou seu pulso fino e a puxou para sentar em seu colo.
Alba, com medo de que ele a beijasse de novo, tentou afastá-lo em pânico:
— As crianças estão logo ali...
Antes que pudesse terminar, Jefferson a ergueu nos braços e caminhou direto para o quarto dela.
Apavorada, ela batia em seus ombros, mas temia fazer barulho e alertar os filhos.
A única saída foi deixar-se levar até o quarto.
Assim que a colocou na cama, Alba tentou se levantar, mas o braço de Jefferson a cercou, apertando seu corpo pequeno e frágil contra o peito dele, e os dois afundaram no colchão.
Ele nem sequer tirou os sapatos.
Por sua altura, era grande demais para a cama, deixando parte das pernas pendurada para fora.
— Jefferson, se você continuar com isso, eu vou chamar a polícia!
Sem conseguir se desvencilhar, Alba o encarou com raiva e lançou a ameaça.

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