Eram seis da tarde.
Evelásio e Zanete bateram o ponto e saíram exatamente na hora.
Alba havia acabado de organizar um contrato que tinha em mãos e se preparava para ir embora quando o telefone tocou.
Era Murilo.
Ele pediu que ela fosse ao escritório do presidente.
O coração de Alba saltou pela boca.
Ela lançou um olhar para a porta fechada do escritório do presidente, do outro lado do corredor.
Um calafrio percorreu sua espinha.
Jefferson vivia testando-a de maneiras imprevisíveis, o que a deixava com os nervos à flor da pele.
Ultimamente, ela tinha pesadelos todas as noites.
Sonhava que ele a havia capturado novamente, mantendo-a em cativeiro e ameaçando quebrar suas pernas se tentasse fugir outra vez...
Só de pensar nisso, o coração de Alba tremia.
No entanto, agora, ele era o cliente mais importante do escritório de advocacia onde ela trabalhava, alguém que não podiam ofender.
Por fim, ela foi ao banheiro, lavou o rosto, olhou-se no espelho e respirou fundo algumas vezes. Com uma expressão carregada de aflição, caminhou em direção ao escritório do presidente como se estivesse marchando para o corredor da morte.
— Sr. Soares, pois não?
Ela parou formalmente em frente à mesa, perguntando com a voz calma.
Jefferson atirou um documento em sua direção e ordenou:
— Revise este rascunho de contrato novamente. Depois, redija a versão oficial, imprima e traga para mim.
— Agora?
— Sim.
— Eu poderia levar para trabalhar em casa? Prometo que termino a revisão esta noite e envio para o seu e-mail.
Para revisar aquele contrato inteiro, ela precisaria de pelo menos duas horas.
E ainda tinha que buscar as crianças na escolinha...
Porém, Jefferson demonstrou insatisfação ao ouvir isso:
— Dra. Aragão, você acha que um contrato de projeto pode ser levado para fora da empresa assim, de qualquer jeito? Se houver vazamento de dados, você não terá como arcar com as consequências.
— Eu sei...
Alba mordeu o lábio e perguntou em tom de negociação:
— Sr. Soares, eu realmente preciso ir para casa agora. Amanhã é sábado, abro mão da minha folga e venho para a empresa fazer hora extra durante o dia. Pode ser?
— Com tanta pressa para ir para casa?
O homem cruzou as mãos longas e bem desenhadas sobre o peito, encarando-a com um olhar gélido e penetrante:
— Vai fazer companhia para aquele inútil do seu namorado?
Alba ficou confusa por um instante.
Demorou dois segundos para se lembrar de que, naquela noite, na frente de Miguel, havia dito que tinha um namorado.


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