Do outro lado da linha, Adriana ficou em silêncio por dois segundos e soltou uma risada fraca.
— Srta. Rezende, isso que você está dizendo não faz sentido.
O tom de Adriana era firme e trazia uma leve ironia.
— Eu prometi a vocês que não contrataria mais a Helena como modelo exclusiva da loja. Mas agora ela é uma cliente que compra roupas da loja com o próprio dinheiro. Eu tenho um negócio, não posso impedir as pessoas de comprarem. Com tantos clientes comprando todos os dias, se fosse presencial, eu até poderia impedi-la de entrar, mas como vou saber qual é a conta dela nas vendas online?
— Ela comprou? — Sara hesitou por um momento. — De onde ela tirou dinheiro?
— Isso eu já não sei. Quando a demiti, a situação ficou feia. Como eu teria a cara de pau de perguntar da vida dela? Talvez ela tenha dado uma sorte absurda e ganhado dinheiro do nada, quem sabe? — Adriana fez uma pausa, o tom ainda carregado de ironia. — Srta. Rezende, se não precisar de mais nada, vou desligar. A loja está movimentada.
Dito isso, antes que Sara pudesse reagir, a ligação foi encerrada.
Sara respirou fundo algumas vezes, forçando-se a se acalmar.
Ela pegou o celular de novo e olhou o número de seguidores de Helena. Eram só cinco mil e poucos.
Se expor na rede para ser julgada por estranhos só dá dinheiro suficiente para pagar o aluguel, nada mais.

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