— Vamos, amor. — Ela olhou para cima em direção a ele, com a voz suave. — Vamos mudar de lugar para sentar um pouco; a paisagem aqui é tão bonita, não vamos deixar aquela gente estragar.
Matheus olhou para o dedo dela enroscado no dele e, invertendo a mão, envolveu toda a mão dela na sua.
— Sim — ele disse.
Os dois caminharam mais um pouco pela beira do lago e mudaram para uma área mais tranquila à sombra das árvores.
Ali havia poucas pessoas; apenas o som do vento batendo nas folhas e passando sobre a superfície do lago.
Cerca de quarenta minutos depois, eles saíram da região do lago e seguiram viagem.
A rodovia estadual foi estreitando gradativamente, e a paisagem nas laterais, antes um lago aberto, transformou-se em colinas contínuas e montanhas baixinhas.
Algumas placas dispersas de pousadas e restaurantes rurais começaram a aparecer à beira da estrada. De vez em quando, viam-se novos edifícios de paredes brancas e telhados cinzas escondidos entre bambuzais e arbustos.
Quando o GPS indicou que faltavam três quilômetros para o destino, surgiu de repente uma discreta placa de madeira na beira da estrada com a inscrição: "Resort Vila Serena".
As letras estavam gravadas em dourado e o fundo era de madeira crua marrom-escura; não chamava muita atenção, mas a qualidade era notável.
Matheus ligou o pisca-alerta e virou, seguindo a placa para uma pequena via de mão dupla.
Havia grandes metasequoias plantadas de ambos os lados da via. As copas das árvores se entrelaçavam lá no alto, formando um arco de verde escuro; a luz do sol escapava pelas frestas e caía na pista, formando manchas douradas.
— Uau. — Helena não conseguiu evitar e sentou-se mais reta, colando o rosto no vidro para ver lá fora.
Depois de uns duzentos ou trezentos metros, apareceu à frente um muro baixo de pedra e um portão de madeira aberto.
O salão da recepção era decorado com muito estilo. Não era do tipo ostentoso e dourado, mas tinha um tom zen, voltado para o japonês.
O balcão era de madeira rústica, as luminárias eram trançadas em bambu, na parede estavam expostas várias pinturas de paisagem à tinta preta e havia um sutil aroma de incenso de sândalo no ar.
A garota da recepção vestia um uniforme liso de linho e algodão. Ao vê-los entrar, sorriu e foi imediatamente ao encontro deles.
— Olá, senhor. Possuem reserva?
— Matheus, bangalô independente, uma noite.
A funcionária checou o sistema e o sorriso no rosto se tornou ainda mais acolhedor: — Senhor Ferraz, você reservou nosso Bangalô Refúgio de Bambu, com terma particular. Por aqui, eu levarei vocês até lá.
Ela pegou duas chaves atrás do balcão; curiosamente, eram verdadeiras chaves antigas de bronze, em vez dos comuns cartões de acesso, presas a uma placa de madeira onde se lia "Refúgio de Bambu".

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