Com a visão embaçada, ela sentiu um toque quente enxugar as lágrimas do seu rosto.
O quarto ainda estava tomado pela atmosfera pesada do que acabara de acontecer, e as respirações descompassadas ainda ecoavam.
Leonardo a ergueu, ajeitou-a na cama e foi até o banheiro. Quando voltou, trazia uma toalha úmida.
Segurou as pernas dela para limpá-la.
— Agora você pode deixar a Carla em paz? — Mirela perguntou com a voz rouca.
Leonardo paralisou. Erguendo os olhos escuros e turbulentos para ela, trincou o maxilar.
— Já que você se sacrificou tanto, seria muita injustiça da minha parte não perdoá-la, não é?
Mirela fechou os olhos. Ainda havia suor em sua testa, a região dos olhos estava vermelha e sua respiração seguia irregular.
Depois da intensidade do momento, um tom rosado cobria seu rosto, dando a ela uma beleza frágil e delicada.
Leonardo terminou de limpá-la com cuidado, subiu na cama e a puxou para um abraço apertado.
Assim como fazia em tantas noites no passado. Ele sempre a abraçava daquele jeito protetor, como se quisesse fundir o corpo dos dois num só.
No entanto, Mirela sussurrou:
— De que adianta? Não há chance nenhuma de eu engravidar.
Os braços dele se apertaram ainda mais.
— Você quer ter filhos?
Ela não respondeu, concentrando-se apenas em domar o turbilhão de emoções dentro de si.
Ela estava sendo sarcástica, e ele fingiu não perceber.
Um cansaço extremo a invadiu. Era uma dor fina e cortante, como se mil agulhas perfurassem seu coração.
Assim que recuperou um pouco de força, ela o empurrou, levantou-se da cama e se preparou para sair.
Leonardo franziu a testa.
— Aonde você vai?
Mirela ajeitou a roupa, com o rosto retomando a frieza de sempre.
— O problema já foi resolvido. O que eu ainda estou fazendo aqui? Não quero atrapalhar os seus momentos de afeto com a Fátima.
— Mirela!
Ele detestava esse tom carregado de insinuações.
— Eu já te disse mil vezes, eu não tenho nenhuma segunda intenção com a Fátima.
— Mirela, e agora? Ela roubou a sua oportunidade de trabalho.
— Então eu procuro outra. — Mirela sorriu de leve. — Não existe obstáculo que a gente não possa superar.
Carla assentiu.
— Isso mesmo. Estamos juntas nessa. Vamos, primeiro você precisa comer. Você está tão pálida que parece que vai desmaiar.
Depois voltou a perguntar:
— A propósito, você ficou lá dentro um tempão. O que vocês conversaram? Ele não te machucou mesmo?
A lembrança do que aconteceu no quarto trouxe um lampejo de humilhação e dor aos olhos de Mirela. Reprimindo os sentimentos, ela desconversou:
— Me deu vontade de comer rodízio de pizza.
— Pode deixar que eu pago.
...
Na porta do quarto, uma cabecinha espiou. Ao ver que não havia mais ninguém, Marcos entrou.
— Tio Leonardo.
Leonardo, com a expressão sombria, virou a cabeça de repente. Seu olhar gelado fez o menino recuar assustado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...