Raramente Moreno a abraçava de forma tão quieta. Ele costumava estar sempre agitado, frenético. Bastava tocá-la e parecia um animal sedento vendo água, a beijava com sofreguidão até deixá-la sem ar, só então parando.
Aquela tranquilidade era rara. O corpo de Carla permanecia totalmente tenso, seu coração como a corda de um arco esticado, não ousando relaxar nem por um instante, com medo de que, ao baixar a guarda, estimulasse os instintos selvagens dele.
Ainda bem que logo ele a soltou. Pegou a tigela de mingau, usou a colher para mexer um pouco, assoprou gentilmente e levou até os lábios dela.
Cada movimento dele era repleto de extremo cuidado, seus olhos azuis observavam-na fixamente.
Carla baixou o olhar, escondendo a visão e evitou cruzar olhares com ele. Não resistiu e, obediente, deixou-se alimentar.
— Querida é tão boazinha.
Moreno sorriu. Ele gostava quando ela guardava as garras, e de quando ela não o olhava com nojo. Aquela versão dela, tão dócil e suave, lhe dava vontade de provocá-la, de abusá-la intensamente.
Mas ele conteve-se. O corpo de sua querida estava muito fraco e não suportaria, precisava primeiro cuidar bem dela, devolver a sua pele a hidratação de antes, só assim ela aguentaria os seus caprichos.
Sem comer por quase três dias, Carla perdeu a vontade de comer após as primeiras colheradas, mas temia que Moreno ficasse contrariado. Uma vez contrariado, ele ficava louco. Ela não suportaria a fúria dele, então, segurando o enjoo, comeu a tigela inteira de mingau.
Moreno queria lhe dar outras coisas para comer, mas ela balançou a cabeça:
— Já estou cheia.
Moreno não insistiu e mandou que levassem a bandeja embora.
Ele carregou Carla no colo até o banheiro, lavou o rosto e escovou os dentes dela com as próprias mãos, cuidando dela como se fosse uma boneca de brinquedo.
Carla estava muito incomodada com aquilo, era como se ela fosse um fantoche, só restava a ela ser manipulada por ele.
No limite de sua paciência, disse:
— Eu posso fazer sozinha.
Estendeu a mão tentando arrancar a escova dele.
Mas Moreno segurou sua mão e disse, com muita seriedade:
— O corpo da querida está muito debilitado, necessita de repouso. Deixe essas coisas por minha conta.
Carla franziu a testa:
— Não estou tão fraca a ponto de não conseguir me mexer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...