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CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo! romance Capítulo 122

Bendinho caminhou até o lado de Ivone.

— Srta. Ivone, não repara, tá? Ele é assim mesmo. Boné e máscara, ele não tira de jeito nenhum.

— Não tem problema, não é a primeira vez que a gente se vê. — Respondeu Ivone, sem dar muita importância.

Antes de engravidar, no ano anterior, ela já tinha aprendido algumas técnicas de defesa pessoal com aquele mesmo treinador. Naquela época ele já aparecia exatamente daquele jeito: máscara, boné, luvas. No começo, ela tinha achado aquilo bem estranho.

Até que Bendinho explicou que conhecia o cara da época em que ele trabalhava como mercenário. Naquele tempo ele já se vestia assim. E, além de tudo, ele tinha nascido mudo.

Para completar, ele ainda tinha salvado a vida de Bendinho em uma missão. Nos últimos dez anos, os dois quase não tinham se falado, mas, sempre que Bendinho precisava de ajuda e entrava em contato, não importava onde o outro estivesse, ele dava um jeito de aparecer.

Quando Ivone comentou que queria aprender defesa pessoal, foi natural que Bendinho pensasse logo na pessoa em quem ele mais confiava. Se a Srta. Ivone ia treinar, tinha que ser com o melhor.

Ivone se aproximou. O homem já tinha se levantado. A altura dele era impressionante, mas o corpo não era parrudo como o de Bendinho. Ele tinha ombros largos, cintura estreita.

Ivone estendeu a mão para ele:

— Professor, quanto tempo. A partir de hoje vou ter que incomodar o senhor de novo.

Ele apertou a mão dela por um instante e logo soltou. Aquele distanciamento frio continuava exatamente igual ao de antes.

O homem tirou do bolso um celular preto, abriu o bloco de notas e digitou uma linha antes de mostrar a tela para ela:

[Você quer aprender luta?]

Ivone assentiu.

Ele voltou a digitar:

[Seu nível é muito fraco. Você vai ter que começar pelo básico de treino de força. Caso contrário, qualquer golpe que você aprender vai ser puro enfeite.]

Faltava menos de um mês e meio, e Ivone começou a ficar ansiosa. Ela arriscou, em tom de pedido:

— Eu não posso treinar os golpes enquanto vou fazendo a parte de força? Mesmo que fique meio de enfeite, ainda serve pra alguma coisa, não serve?

Ela olhou para o treinador com uma expectativa quase infantil. O olhar dele se afastou do rosto dela. Ele abaixou a cabeça e começou a escrever de novo.

Ivone pegou a toalha branca das mãos dele e enxugou o suor do rosto e da nuca.

— Obrigada. O senhor tem razão. Se eu continuasse, meu corpo não ia aguentar.

Ela murmurou, quase para si mesma:

— Minhas costas ainda estão doendo.

Depois de beber alguns goles d’água, ela se virou para o homem, que já tinha pego o casaco no sofá e se preparava para sair:

— Como é que eu devo chamar o senhor?

Se ela fosse colocar na ponta do lápis, ele já contava praticamente como um professor para ela. E ainda assim ela não sabia nem o nome dele. Aquilo soava muito pouco educado.

Os passos do homem vacilaram por um segundo. Ele lançou um olhar para Ivone, e os olhos castanho‑escuros dele pareceram ficar ainda mais frios.

Mesmo assim, Ivone percebeu de imediato a mudança. Ela pensou que gente que já tinha vivido à beira da morte, como ele, sempre carregava uns limites dos quais não gostava de abrir mão.

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