No dia a dia, Ivone tinha muito senso de limite. Ela nunca agia de cabeça quente daquele jeito.
Quando ela viu que Cássio não tinha expltido com ela, nem se levantado irritado para ir embora, e que ele apenas estava sentado no sofá, com a cabeça baixa, colocando as luvas em silêncio, a consciência de Ivone pesou na hora.
Ela se agachou na frente dele, juntou as mãos e falou:
— Desculpa, Cássio, eu…
O homem sentado no sofá terminou de prender o fecho magnético da luva. Ele abaixou os olhos para a mulher agachada diante dele, com o rosto cheio de culpa, tão envergonhada que parecia pronta para se jogar pela janela. O olhar dele escureceu um pouco. Então, ele pegou o celular.
[Por quê?]
Cássio estendeu o celular para ela. Pelo visto, a desculpa de que a mão dela tinha "escorregado" realmente era péssima. Ele claramente não tinha acreditado.
Ivone pensou, repensou, mas ela não teve coragem de admitir em voz alta que tinha desconfiado que ele fosse Rui. Ela só conseguiu responder, encarando o próprio erro:
— Curiosidade.
Aquela resposta, obviamente, deixou Cássio sem ter o que dizer. Ele ficou em silêncio por alguns segundos e digitou só três palavras:
[Deixa pra lá.]
A consciência de Ivone pesou ainda mais.
Em seguida, ele escreveu outra frase longa:
[Minhas mãos sofreram queimaduras. Eu uso luvas de compressão há anos para evitar que as cicatrizes aumentem.]
Ivone teve vontade de se dar uns tapas. Como ela tinha conseguido desconfiar que Cássio era Rui?
Sem contar que Rui vivia ocupado demais, ele mal falava com Bendinho. Já Cássio, por mais fechado que fosse, tinha outra dinâmica com ele. Mesmo Cássio dizendo que não a culpava, Ivone sentia nitidamente que o clima ao redor dele tinha ficado mais pesado.
Ivone continuou agachada ao lado dos pés dele e falou com sinceridade:
— Me desculpa, Cássio. Eu quero te pedir desculpas de verdade. Se você estiver com raiva, pode me dar uns dois socos, eu não vou revidar… Quer dizer, mesmo se eu tentasse, eu não teria a menor chance contra você. Eu prometo que não reclamo.
Cássio lançou um olhar calmo para ela e guardou o celular no bolso. De repente, ele ergueu a mão na direção dela. Ivone fechou os olhos na mesma hora, por reflexo.
Os cílios dela tremiam sem parar, e os lábios estavam bem apertados. Mesmo à beira do cadafalso, ela ainda lembrava da própria promessa: não soltar uma reclamação.
Ele se inclinou de repente na direção dela, e o brilho nos olhos dele ficou ainda mais intenso:
— Eu ouvi dizer que você vai se divorciar do meu primo.
Se até Paula sabia da história, não era nenhuma surpresa que Carlos também soubesse. Ivone não tinha motivo para esconder nada.
— E aí, você resolveu sonhar acordado de novo, em plena luz do dia?
Carlos adorava ouvir aquele tom na voz de Ivone, com aquela malícia leve, quase brincalhona.
— Carlos e Ivone… — Ele sorriu. — Além de a gente combinar como pessoas, até nossos nomes combinam. Quando você se divorciar, eu vou atrás de você.
Ele abaixou um pouco mais o rosto, prendendo o olhar dela, e falou em um tom mais baixo:
— Eu posso te ajudar a conseguir esse divórcio mais rápido.
Um arrepio frio percorreu a nuca de Ivone sem motivo aparente. Na mesma hora, ela se lembrou da conversa que tinha escutado naquela noite no Drunk Baby, entre Douglas e os outros.
Alguém da família Moraes estava em conluio com Douglas. Será que esse alguém era Carlos?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
ta ficando muito enrolada a historia...