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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 112

Isaac, como ela imaginava, tinha mesmo levado Aurora para consultar o médico. Assim, talvez ele finalmente parasse de pressionar Lorena para ter um filho.

A enfermeira acompanhou os dois até a farmácia da própria clínica para retirar a medicação. Como se tratava de um tratamento fitoterápico, ela ainda perguntou se eles preferiam que a clínica preparasse o chá ou se queriam levar as ervas para fazer em casa.

Isaac escolheu deixar o preparo por conta da clínica. Nesse caso, o paciente poderia buscar depois ou receber tudo pelos correios. Ele optou pela entrega. Na hora de preencher o endereço, escreveu o endereço da empresa.

Lorena, sentada longe do balcão, não tinha como enxergar o que ele escrevia. Ela só descobriu porque Aurora perguntou, num tom manhoso:

— Por que você colocou o endereço da empresa?

Ele pousou a caneta sobre o balcão e respondeu com toda a seriedade:

— Tem que mandar para a empresa. Coloca o meu celular pessoal. Eu mesmo vou receber. Eu preciso acompanhar de perto para garantir que você tome tudo direitinho. Eu conheço você. Se eu deixar por sua conta, você toma dois dias e esquece nos três seguintes.

Aurora fez um biquinho e se aninhou ao lado dele com um charme quase infantil.

Era uma diferença gritante. O poderoso presidente da empresa... Disposto até a controlar a entrega de um simples chá medicinal.

Lorena se lembrou de uma ocasião, anos atrás, quando o tempo tinha mudado de repente e a temperatura despencara. Ela ficou preocupada porque Isaac não tinha levado um casaco para o escritório e decidiu mandar um para ele. Ela mesma não tinha coragem de aparecer novamente na empresa. A funcionária que ajudava em casa também não podia ir naquele dia. Então Lorena pensou em contratar um motoboy.

Mesmo assim, ela não ousou decidir sozinha. Ela ligou para Isaac e perguntou se podia enviar o casaco por entrega expressa e se ele preferia que ela colocasse o número do celular dele ou...

Ela nem chegou a terminar a frase. Nem teve tempo de explicar que a outra opção era deixar o telefone da recepção ou da secretária. Ele já a tinha interrompido friamente:

— O meu número pessoal para entregador? Em que mundo você vive?

Naquele instante, Lorena tinha entendido. Isaac era um homem de sucesso, um executivo influente. Ele precisava proteger a própria privacidade. O número pessoal dele não podia ser divulgado de qualquer maneira.

Mas agora, ali diante dos olhos dela, era o próprio Isaac quem anotava o número pessoal no formulário, entregando-o sem hesitação para uma transportadora. E ainda fazia questão de receber a encomenda pessoalmente.

Ou seja, todas aquelas “regras” que ele costumava impor nunca tinham sido regras de verdade.

A única regra sempre tinha sido uma só: aquilo que ele queria em cada momento.

Como se não bastasse se preocupar com a entrega, Isaac ainda perguntou à enfermeira se, durante o período em que Aurora estivesse tomando o fitoterápico, existia alguma restrição alimentar que ela deveria seguir.

A enfermeira não soube responder e pediu que ele voltasse ao consultório para falar diretamente com o médico.

— Você espera aqui. — Ele disse para Aurora. — Eu vou lá confirmar isso.

Aurora assentiu.

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