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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 113

Assim que ela atendeu, a voz dele veio carregada de fúria do outro lado da linha:

— Lorena, você teve coragem de registrar uma queixa? Por que você chamou a polícia?

Será que a polícia finalmente tinha ido atrás deles?

Do outro lado da linha, Isaac parecia estar fora de si. Lorena, porém, permaneceu absolutamente tranquila.

— Lorena, é a sua vez. — Chamou a enfermeira.

Ela esboçou um leve sorriso, encerrou a ligação e respondeu:

— Está bem, obrigada.

O celular voltou a tocar quase imediatamente, mas Lorena não atendeu. Ela entrou no consultório.

Durante toda a sessão de tratamento, o aparelho continuou vibrando sem parar.

— É o seu telefone? Você quer atender? — Perguntou o Dr. Carlos.

Ela balançou a cabeça.

— Não, pode deixar. Deve ser alguma ligação de telemarketing.

Naquele momento, as ligações de Isaac não lhe pareciam muito diferentes de uma insistência inconveniente da qual ela queria se livrar.

Depois de várias tentativas sem resposta, o celular finalmente silenciou.

Quando a sessão terminou e o Dr. Carlos retirou as últimas agulhas, ele perguntou:

— Você já passou pela consulta com o ginecologista?

Lorena entendeu imediatamente.

Na última vez, na casa da avó, Isaac perguntou ao médico sobre questões ginecológicas, e o Dr. Carlos provavelmente tinha presumido que o assunto estivesse relacionado a ela. Como ele passara a manhã inteira atendendo no consultório, ainda não sabia quem havia sido a paciente daquela consulta.

Lorena abriu um sorriso discreto.

— Eu não vou me consultar.

Ela não tinha a menor intenção de expor aquelas feridas que carregava dentro de si.

O Dr. Carlos assentiu.

— Na verdade, se não existe nenhum problema de saúde nem com você nem com o seu marido, vocês não precisam ter tanta pressa para ter filhos. Vocês ainda são jovens.

— É verdade. Obrigada, Dr. Carlos. Amanhã eu posso vir em qual horário? Dá certo se eu vier à tarde?

Ela havia remarcado para o dia seguinte a entrevista do visto.

— Dá, sim. Amanhã eu vou ficar aqui o dia inteiro.

Ótimo!

No dia seguinte, Lorena iria primeiro à entrevista do visto. Depois, escolheria um restaurante de que gostasse para almoçar sozinha e, em seguida, seguiria direto para a sessão de acupuntura.

O Dr. Carlos continuou:

— Eu tenho aqui uma série de exercícios de reabilitação. Pelo que observei nestes dias de tratamento, você já pode começar a praticá-los. É um método desenvolvido pelo meu professor e ainda está sendo introduzido em algumas clínicas. Você pode experimentar.

Ela estava exausta. O corpo inteiro parecia prestes a se desfazer, e as pernas mal conservavam qualquer vestígio de força.

— Está bem. Descanse um pouco primeiro. Quando quiser trocar de roupa, é só apertar a campainha e me chamar. — Disse a enfermeira antes de sair para atender outros pacientes.

Lorena assentiu, ainda respirando com dificuldade.

A intenção dela era sentar-se no banco comprido que ficava ao lado. Mas o corpo estava tão debilitado que ela não conseguiu se acomodar direito.

Ela escorregou e acabou sentada no chão.

Tentou se levantar para voltar ao banco, mas as pernas simplesmente não responderam.

Ela apoiou as duas mãos no assento para ganhar impulso, porém os braços começaram a tremer de forma incontrolável.

Lorena soltou uma pequena risada de si mesma.

Não valia a pena insistir.

No fim das contas, sentar-se no chão ou no banco não fazia grande diferença naquele momento.

Ela fechou os olhos, relaxou o corpo e aguardou pacientemente que as forças retornassem aos poucos.

De repente, a porta se abriu com violência.

Alguém entrou na sala como uma tempestade, trazendo consigo toda a tensão de uma raiva mal contida.

— Eu liguei para você. Por que você não atendeu?

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