Lorena conhecia Breno bem demais. Ela sabia o quanto ele a detestava e o quanto ele podia ser cruel.
Nesses dias todos se arrastando naquele cabo de guerra com aquele grupo, ela já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha pensado: “Eu juro que nunca imaginei uma coisa dessas.” Ela achava que já tinha visto o fundo do poço da falta de vergonha deles, mas descobria, uma vez atrás da outra, que sempre existia um nível ainda pior.
Ela nunca teria imaginado que Breno seria capaz de falar uma coisa tão baixa: dizer que o salvamento de cinco anos atrás tinha sido só uma encenação dela para aplicar um golpe e se casar por interesse?
Quando a raiva chegava naquele limite, parecia que tudo dentro dela, em vez de explodir, simplesmente se aquietava. Ela olhou para Isaac. Mesmo depois de ter percebido, repetidas vezes, que ele nunca ficaria do lado dela, naquele exato momento ela ainda quis perguntar. Se ele realmente pensasse igual a Breno...
Então aquilo já não seria mais questão de ela ter sido cega. Seria apenas a prova de que, cinco anos atrás, teria sido melhor salvar um cachorro.
— Isaac, vem aqui. — Chamou Lorena, se levantando. Ela ficou parada no mesmo lugar, com o olhar completamente calmo.
Isaac continuava sentado ao lado de Aurora e levantou os olhos para encará-la.
— Isaac, não vai! — Breno, que parecia o porta-voz oficial de Aurora, tratou logo de intervir.
O olhar de Isaac se encontrou com o de Lorena. Depois de um breve silêncio, ele se levantou e foi até ela.
Lorena olhou para o homem à sua frente, o mesmo por quem ela quase tinha dado a vida, o mesmo por quem ela tinha sacrificado uma perna para garantir que ele sobrevivesse, e perguntou em voz serena:
— Você também pensa assim?
Isaac não respondeu.
— Você também... — Ela insistiu, mantendo os olhos fixos nos dele. — Você também acha que fui eu quem armou tudo e colocou fogo na sala de reuniões da sua empresa? Você também acha que, cinco anos atrás, eu me joguei na frente daquele carro só para fingir que era uma vítima, te salvar de propósito e te obrigar a casar comigo, mesmo que isso custasse a minha perna?
Houve um movimento quase imperceptível no olhar de Isaac, como se alguma coisa tivesse se contraído lá no fundo. Em seguida, ele desviou os olhos.
— Fala, Isaac. Olha para mim e fala. — Exigiu Lorena, erguendo o queixo. Pela primeira vez, ela percebeu que ele nem era tão mais alto do que ela.
O pomo de Adão dele subiu e desceu num gesto tenso.
— Lorena, você realmente não precisava levar as coisas a esse extremo. Nós somos marido e mulher. Por que não podemos conversar direito? Quando você age desse jeito, quem mais sai machucada é você mesma...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...