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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 130

— Isaac! Vem aqui falar da cobra venenosa que você criou! — Breno gritou, descontrolado.

Isaac passou a mão no rosto, sentindo o ardor dos arranhões que as unhas dela tinham deixado. Ele franziu a testa, deu alguns passos à frente e disse, em tom pesado:

— Não vamos desviar do assunto. Lorena, o que você quer? Fala você.

— Isso mesmo, Lorena… — Aurora se aproximou de novo, forçando uma voz mansa. — Lorena, o Simão acabou de falar, essas gravações nem servem como prova no tribunal. Para que você vai levar isso tão longe e prejudicar a empresa? Melhor você mesma dizer o que você quer.

Lorena sorriu.

— Se essas imagens podem ou não ser usadas como prova, isso não é decisão de vocês. E, sinceramente, nem é o mais importante agora. O que importa é que tudo o que aparece nelas é verdade. Mesmo que o juiz não aceite, você acha que o público não vai acreditar? No máximo, eu coloco tudo na internet e deixo a opinião pública trabalhar. Quero ver se os internautas não vão compartilhar até cansar, comentando como o Isaac e os cúmplices dele armaram para incendiar a esposa em nome da amante. Aí, sim, depois disso, vocês me contam se isso serve ou não como prova.

— Você enlouqueceu de vez! — Os olhos de Breno quase pegaram fogo. — Se você destruir a reputação do Isaac, arruinar o nome da empresa, jogar a Aurora na boca do povo para todo mundo humilhar, o que exatamente você ganha com isso?

— Eu? — Lorena deu um sorriso aberto. — Eu ganho alívio. Eu quero ver gente podre sendo apontada com nojo por todo mundo.

Lorena ergueu um dedo.

— E eu não falei quem é podre. Quem se sentir atingido, que se acuse sozinho. Ou, se preferirem, eu posso assumir que todos vocês são podres.

Do outro lado, Aurora, Breno e Simão estavam prontos para xingar, mas, ao ouvirem aquilo, engasgaram as palavras. O ar pareceu travar na garganta, e os três ficaram vermelhos.

— Filho da puta! — Breno arregaçou as mangas, cuspindo palavrão, pronto para partir para cima dela.

Lorena cerrou os dentes e ficou parada, sem recuar nem um centímetro. Se ele tivesse coragem de agredi-la dentro de uma delegacia, aí sim seria prova de que ele tinha perdido completamente o juízo.

Isaac segurou Breno antes que ele avançasse, e os policiais também intervieram com voz firme.

Só que, mesmo contido, Breno acabou servindo de estopim para o resto.

Dessa vez, a delegacia finalmente amansou.

Isaac passou pelos outros, passou por Lorena sem olhar muito tempo para ela, e foi até os policiais.

— Eu assumo toda a responsabilidade. Eu sou o presidente da empresa. Qualquer coisa que tenha acontecido lá dentro é responsabilidade minha. Os outros não têm nada a ver com isso, ou, no máximo, tiveram participação pequena.

Como tinha sido Lorena quem tinha registrado a ocorrência, e como o incêndio tinha, de fato, acontecido dentro da empresa, com risco real de ela se queimar, a forma como Isaac poderia “assumir” aquilo tudo dependia diretamente dela.

Ela retiraria ou não a queixa? A mesma pergunta voltava a se colocar diante de Lorena.

Na delegacia, Isaac se colocou sozinho na linha de frente:

— Se ela não quiser retirar nada, eu não vou forçar. Que sigam com todos os procedimentos. Eles são todos meus subordinados. Eles só seguiram as minhas ordens. Eu estou disposto a arcar com todas as consequências.

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