Breno ficou tão furioso que praticamente saltou da cadeira, apontou o dedo para Lorena e começou a berrar:
— Você roubou as imagens das câmeras da empresa? Ou instalou câmeras escondidas dentro da empresa? Isso é ilegal!
Lorena sorriu de leve.
— Primeiro: pelas imagens que eu vi, eu não invadi sigilo nenhum da empresa nem revelei qualquer segredo corporativo. Se você acha mesmo que eu cometi algum crime, pode ir lá e me denunciar. Segundo: ao contrário do que você está dizendo, as minhas gravações estão justamente protegendo os interesses da empresa. Eu sou acionista. Eu quase morri queimada na sala de reuniões, dentro da empresa. Alguém tentou me matar ali, a minha integridade física foi colocada em risco e o patrimônio da companhia sofreu um prejuízo enorme. Eu acho que, numa situação dessas, ter reforçado a vigilância nas áreas sem monitoramento da empresa é algo perfeitamente razoável, né? O presidente, Isaac, com certeza não seria contra isso, certo?
Ela olhou diretamente para Isaac, enquanto, na cabeça dela, ainda ecoava o diálogo de instantes antes.
“Você acha que, cinco anos atrás, quando eu salvei você, eu fiz aquilo só para te enganar e te forçar a casar comigo?”
“Acho.”
Aquela resposta curta, seca e sem a menor hesitação tinha atingido o peito dela como uma pedra lançada com força, e o impacto ainda reverberava dentro dela.
Lorena apertou a mão contra o próprio peito, como se quisesse impedir que aquela dor continuasse se espalhando, e voltou a sorrir suavemente:
— Isaac, será que você tem algum motivo inconfessável para estar acobertando eles?
Ela também era acionista da empresa. Quando eles se casaram, Isaac tinha dado a ela 10% das ações. Só que, desde então, ela nunca tinha participado de fato das decisões da companhia.
Não era porque ela não queria. Era porque, naquela empresa que Isaac, Breno e os outros tinham fundado juntos, existia uma barreira invisível e intransponível que sempre mantinha Lorena do lado de fora.
O lado do rosto de Isaac onde ela tinha batido ainda exibia, nítidas, as marcas dos cinco dedos dela. As unhas de Lorena tinham deixado pequenos arranhões ensanguentados, que ganhavam um destaque cruel naquele rosto bonito demais.
Será que ele estava sentindo dor agora? Se não estivesse, por que os olhos dele estavam avermelhados?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...