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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 147

Ele soltou uma risadinha, claramente sem acreditar em nada do que ela dizia.

— Isaac, você precisa entender uma coisa: só sente ciúme quem ainda ama.

Ela permaneceu deitada, encarando o teto, o olhar perdido. A memória, como um fio puxado de repente, trouxe à tona a imagem do garoto sob a árvore, assoprando folhas caídas, e dos dois adolescentes dividindo um bolo de milho à sombra perfumada pelas flores.

— Isaac, eu não amo você mais.

O que Lorena sentia era apenas uma pontada leve de amargura, quase um adeus. Era a forma que ela havia encontrado de se despedir da garota ingênua que amara Isaac por doze anos sem hesitação. Era como se dissesse a si mesma: “Olá, Lorena de doze anos atrás. Hoje, depois de doze anos, eu preciso te contar: você amou a pessoa errada. E agora eu finalmente corrigi esse erro.”

— Boba. — Isaac murmurou, ainda sem acreditar, e passou a mão pelos cabelos dela, bagunçando-os de leve. — Eu vou tomar banho.

Ele saiu de cima dela e foi em direção ao banheiro. Lorena fechou os olhos, pronta para dormir.

O celular apitou com uma nova mensagem. Era de Priscila.

Priscila avisava que voltaria de uma viagem a trabalho e queria marcar um jantar quando tivesse um tempo.

Lorena começou a conversar com ela.

Priscila tinha sido sua colega de carteira por vários semestres no ensino médio, e as duas sempre haviam se dado bem. Na faculdade, ainda mantiveram contato e, mesmo depois de Lorena se casar com Isaac, Priscila tentou encontrá-la algumas vezes. No entanto, em todas as ocasiões, Lorena recusou qualquer convite para sair.

Priscila perguntou por mensagem:

[Por que você sumiu naquela época? Você parou de sair, parou de falar com todo mundo… Foi mesmo porque o Isaac é ciumento demais?]

Lorena respondeu:

[Claro que não.]

Quase nenhum colega do ensino médio sabia que Lorena havia ficado mancando. Ela não convidou ninguém do ensino médio para o casamento e, depois de casada, nunca mais encontrou antigos colegas. O fato de estar casada havia chegado à maioria apenas por “ouvi dizer”.

Agora, com o encontro com Priscila marcado, Lorena achou melhor avisar antes, para não surpreender a amiga. Então contou que estava com dificuldade para andar, mas não explicou o motivo.

Priscila, por reflexo, respondeu:

[Como assim? O que aconteceu?]

Priscila enviou outra mensagem:

[Você pode falar por áudio?]

Lorena, então, decidiu fazer a chamada por voz.

Foi a primeira vez, em cinco anos, que ela ouviu a voz de Priscila. Quando Priscila chamou seu nome, Lorena sentiu uma emoção estranha, uma saudade antiga emergindo à superfície.

— Priscila, sou eu. Eu estou bem, de verdade. Está tudo bem agora, tudo isso já passou.

Ela acabara de dizer isso quando ouviu um movimento atrás de si. Isaac saiu do banheiro e deitou-se na cama.

— Lorena, eu nem sei por onde começar… — Priscila começou, mas não terminou a frase.

Isaac aproximou-se por trás dela, colando o corpo ao dela, passou o braço pela cintura e falou, com a voz baixa e rouca, diretamente ao ouvido dela:

— Senhora Cunha…

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