Isaac parecia estar de ótimo humor naquela noite. Quando ouviu o que Lorena disse, os olhos dele não demonstraram nenhuma irritação. Ele apenas ficou olhando para ela, tranquilo, com um leve sorriso no canto dos lábios. A gola da camisa estava aberta, as mangas arregaçadas, e ele permanecia largado contra o encosto do sofá, completamente à vontade.
— Eu assisti às gravações das câmeras de hoje. — Comentou, semicerrando os olhos.
E daí?
Lorena imaginou que ele, como sempre, fosse inventar algum discurso para justificar Aurora.
Ele pegou o celular e começou a mexer nele por alguns segundos.
O celular de Lorena vibrou. Ela o pegou para conferir e descobriu que Isaac acabara de transferir um milhão para a conta dela.
— A Aurora realmente agiu por impulso, mas ela também estava magoada, pressionada por causa do processo e emocionalmente abalada. Já você, que faz tanta questão de ser chamada de Sra. Cunha, também não perdeu nenhuma oportunidade de pressioná-la ainda mais. — Ele deixou o celular de lado. — Eu peço desculpas em nome dela, Sra. Cunha.
Quando ele chamou Lorena de “Sra. Cunha”, havia um evidente tom de deboche em sua voz.
Nada surpreendente.
Lorena já sabia que ele encontraria uma justificativa para Aurora.
Aos olhos dele, tudo o que Aurora fazia tinha explicação.
A única que parecia estar sempre errada era ela.
Discutir seria inútil. Ela nem tinha a intenção de responder.
Por outro lado, receber um milhão como compensação era uma surpresa agradável, e ela não era ingênua a ponto de rejeitar dinheiro.
Quanto ao amor...
Algo que já não existia podia muito bem ficar com quem ainda quisesse acreditar nele.
Lorena aceitou a transferência, segurou o celular com firmeza e voltou para o quarto para dormir.
Isaac também a acompanhou, entrando no quarto logo depois. Enquanto caminhava, falou naquele tom preguiçoso de sempre:
— Em troca desse um milhão, você não vai preparar nada para eu comer?
Lorena não acreditava nem por um segundo que ele não tivesse jantado fora.
Com Aurora naquele estado, era óbvio que ele havia passado primeiro para consolar a “coitadinha”.
— A Isabela já está dormindo. Faça o favor de não incomodá-la. Empregados também precisam descansar. — Ela respondeu secamente enquanto seguia adiante.
— Em que momento eu falei em incomodar a Isabela? — Ele retrucou, logo atrás dela. — Você é minha esposa. Pedir que me sirva um copo de leite não é nenhum absurdo.
— O leite está na geladeira. Se você ainda sabe usar as próprias mãos, basta abrir a porta e pegar.
— Eu quero tomar leite quente. Você não pode esquentar para mim?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...