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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 173

Lorena levantou o queixo e encarou o pai de frente, como se dissesse com o olhar: "Pode me bater."

Bruna segurou o braço de Michel e começou a lançar olhares insistentes para ele, insistente:

— Ela já cresceu, agora ela tem orgulho próprio. Não bate mais nela.

Michel entendeu o recado de Bruna. Não era questão de "a filha cresceu", e sim de que os tempos tinham mudado: agora ela era esposa de CEO, e a família ainda precisava do dinheiro de Isaac.

Michel respirou fundo, bufando, e engoliu a raiva.

Bruna assumiu um ar de mãe compassiva e falou com Lorena:

— Lorena, eu e seu pai criamos você até essa idade. Você tem que ter um mínimo de gratidão.

— Vocês me criaram? — Lorena devolveu na hora. — Vocês que me deram comida? Vocês que pagaram os meus estudos? Desde que eu era pequena, quem me criou foi a vovó.

Bruna engasgou com a resposta e o rosto dela ficou vermelho:

— Você não é filha nossa? Só o fato de eu ter te colocado no mundo já é uma dívida que você nunca paga. Se não fosse por nós, você nem existiria! Só por isso, hoje você já devia honrar o seu pai.

— É mesmo? — Lorena virou o rosto para olhar Francisco. — Já que o "favor de dar a vida" é tão grande assim, me diz: o seu filhinho querido deu quanto para você hoje? Eu faço um esforço e dou o mesmo que ele.

Francisco ficou corado na hora:

— Por que você está me envolvendo nisso? O que eu tenho a ver com essa história?

— Então fala. Quanto ele te deu? — Lorena insistiu. Ela sabia muito bem que o irmão não tinha dado um centavo para os pais.

O rosto de Michel também ficou vermelho:

— Como é que ele vai se comparar com você? Ele está começando um negócio agora, você sabe como é difícil empreender. E ele ainda vai se casar. Eu nem estou pedindo tanta coisa de você. Eu só quero que você compre aquela casa de que eu falei da outra vez, e pronto.

— Exato. — Bruna emendou. — Seu irmão não é como você. Você deu sorte, casou bem. Não é que você "trabalhou vinte anos a menos", é que tem gente que trabalha a vida inteira e nunca vai ganhar o que você gasta de dinheiro de bolso. Você não pode ficar pensando em quanto do dinheiro de Isaac você já gastou. Ele gastar com você é o mínimo, é obrigação dele. Você devia ficar do lado da sua própria família. Nós é que somos a sua família.

Lorena deu uma risada curta, de puro deboche. Era incrível como alguém podia ser tão sem vergonha.

Rita começou a tremer de raiva:

— Vocês… vocês se escutam? Vocês têm mesmo coragem de dizer que são pais? Não é à toa… não é à toa…que vocês nunca conseguiram tratar os dois filhos do mesmo jeito. Até não atrapalhar a vida da própria filha parece que é pedir demais.

Bruna entortou a boca:

— Mãe, a senhora está passando dos limites. A senhora está tão do lado da Lorena que nem enxerga mais nada. O Francisco também é seu neto. Qual é a avó que não defende o neto e só defende a neta?

Rita tremia de indignação:

— Meu neto? Ele por acaso tem o meu sobrenome?

— E a senhora, por acaso, não é da família do pai dele? — Bruna revirou os olhos e, de repente, os olhos dela brilharam. — Mãe, não me diga que a senhora arrumou outro velhinho por aí, hein? É por isso que está falando essas coisas?

Lorena, pelo menos, não acreditou:

— O que o senhor está planejando agora?

— É assim que você fala com o seu pai, garota mal-agradecida? — Michel explodiu. — Sua imprestável!

Lorena soltou um muxoxo frio.

Bruna se apressou em pegar as caixas que estavam no chão e ergueu para mostrar:

— Olha, olha, a gente veio mesmo ver a mãe. Mãe, o Michel disse que a senhora penou a vida inteira, então ele acha que, no dia do aniversário dele, quem merece homenagem é a senhora. Hoje eu fico responsável pela comida. A gente vai fazer um almoço de aniversário bem bonito, todo mundo junto.

Rita conhecia melhor do que ninguém as intenções do casal. Ela sabia que os dois nunca mudariam da água para o vinho. Aquela comida, com certeza, não viria de graça.

— Não precisa. Vocês podem levar isso tudo de volta e comer na casa de vocês. — A voz de Rita saiu seca.

— Mãe, olha o que a senhora está falando. Que formalidade é essa? Eu vou ali para a cozinha. — Bruna disse, ignorando completamente a recusa de Rita e de Lorena. Ela pegou as caixas e foi entrando na cozinha como se a casa fosse dela.

Rita já tinha idade, e Lorena ainda estava com dificuldade para andar. Nenhuma das duas conseguiu impedir.

— Lô, deixa eles ficarem aí. Vamos sair um pouco. — Rita sabia que não podia enfrentar Michel e Bruna de frente, então preferia se afastar.

— Mãe, que conversa é essa? A gente quase nunca vem ver a senhora, e agora que veio, a senhora vai sair, vai deixar o seu filho com o coração partido? Mãe, a senhora não gosta mais de mim? Não gosta mais do seu neto? — Michel apertou os olhos com força até conseguir forçar algumas lágrimas a aparecer.

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