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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 175

Michel se inclinou para a frente, bem perto de Rita, e falou:

— Mãe, se a senhora me der esta casa, eu deixo para lá aquele dinheiro todo. Senão, a senhora me dá logo dez milhões em dinheiro vivo!

— Por que você não me mata de uma vez! — Rita gritou rouca, e deu um tapa na cara de Michel. — Olha bem para mim: se eu for vendida no mercado, será que eu ainda valho mil reais?

— Mãe, aí a senhora já está sendo chata. — Michel resmungou, com aquele jeito de malandro barato. — Se a senhora não quer me dar a casa, então eu vou atrás da sua poupança.

Bastou um olhar de Michel para Bruna e Francisco saírem correndo com ele em direção ao quarto da avó.

— Fica na gaveta do meio! Quebra o cadeado! — Michel gritava enquanto corria.

Lorena ajudou a avó a se sentar na cadeira e, em seguida, correu para a frente da porta, abrindo os braços para bloquear a passagem:

— Hoje ninguém entra aí!

Michel deu um sorriso torto:

— Filha, você está manca, acha mesmo que consegue segurar nós três? Você, nesse estado, é melhor nem tentar bancar a heroína. Vai cuidar bem do seu marido rico, que te dá tudo que você quer. Francisco, vai!

Lorena agarrou o batente com as duas mãos, com toda a força que tinha. Não importava o quanto eles empurrassem, ela não soltou. Só soltou um gemido abafado quando as unhas começaram a rachar. Várias quebraram, a dor subiu até o braço, mas o pior era a sensação de impotência. Ela sabia que, fisicamente, não era páreo para três feras enlouquecidas.

— Se hoje algum de vocês colocar um pé nesse quarto, eu me mato aqui na frente de vocês!

Na sala, Rita pegou uma faca e encostou na própria garganta.

O coração de Lorena pareceu se rasgar. Ela começou a chorar alto:

— Vó, não faz isso! Pelo amor de Deus, não faz isso! Se a senhora morrer, aí sim eles ganham! Vai ser exatamente o que eles querem!

Lorena estava em desespero absoluto. Ela não fazia ideia de como impedir Rita, então só conseguia apelar desse jeito.

O grito dela pareceu acordar Rita de um transe.

Era mesmo. Se ela morresse, o dinheiro que estava no cartão dela, e aquela casa grande no interior, por mais que ela mesma não entendesse o que aquela casa tinha de especial, tudo isso, por lei, iria direto para aquele desgraçado…

A faca escorregou da mão de Rita e caiu no chão.

Michel caiu na gargalhada:

— Minha filha, minha boa filha, você é mesmo a minha melhor filha! Quero ver até quando você aguenta assim!

— Não… não… — Michel sacudiu as mãos depressa e forçou um sorriso. — Isaac, meu genro, que bom que você veio…

— Cala a boca. — Isaac cortou, com a expressão fechada. — Eu só chamei você de pai até hoje porque você é o pai biológico da minha esposa. Para ser pai, antes de tudo, precisa ser gente. Se você escolhe não se comportar como ser humano, então, desculpa, eu não negocio com bicho.

A paulada veio pesada, e ainda por cima vinda de um genro mais novo. Para um homem como Michel, aquilo teria sido uma humilhação enorme em qualquer outra situação. Mas, diferente de antes, ele não explodiu. O rosto dele empalideceu, depois ficou vermelho, depois empalideceu de novo, num vai e vem ridículo, mas ele engoliu tudo. Forçou outro sorriso e se aproximou, bajulador:

— Imagina, não chega a tanto. A Lorena é minha filha, eu a amo demais. Pai e mãe batem, xingam, mas é tudo amor. Francisco, fala aí.

— É isso mesmo, Isaac. Lá em casa meu pai também me bate tanto que parece até que eu fui filho de cachorro de rua. — Francisco, que antes se comportava como um príncipe arrogante, agora se curvava todo, concordando com tudo.

Michel e Bruna pensaram, ao mesmo tempo: Filho de quem, hein?

Isaac, porém, não esboçou o menor sorriso:

— Não importa quem colocou no mundo. Também não importa o que nasceu. Você quer viver como cachorro de rua, o problema é seu. A minha esposa não é.

A carne do rosto de Michel começou a tremer sem controle, mas ele continuou sem coragem de reagir. Forçou mais um sorriso duro, quase um esgar:

— Sim, é verdade, você está certo. A Lorena ter você na vida é a maior sorte dela.

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